Yu Yu Hakusho

Sunday, June 25, 2006

...:::Capítulo três - A estranha relação de Kurama e Mai:::...
-Não, vai ter luta épica não... Eu não vou lutar, já disse, tô aqui só pra dar uma força no treinamento dos moleques... Keiko, já disse que não vou lutar, mulher! Se liga ¬¬’
Eram onze e meia da noite. Na base, todos já haviam se recolhido aos seus quartos, apenas o novo hóspede, Yusuke, estava de pé, na cozinha, andando de um lado para o outro enquanto falava ao telefone com a esposa.
-Só um minuto, Yusuke – Disse Keiko, do outro lado da linha – A Aeka tá chorando... Minha filha, o que foi?
-O que foi... ¬¬’ – Resmungou Yusuke – Como se não soubesse, a praga do Yuuki bateu nela ¬¬”
A comprovação veio, quando foi ouvida uma voz chorosa ao longe:
-Mamãe, o Yuuki bateu em mim!
-...E ela ainda perde tempo perguntando ¬¬” Keiko, esquece isso e escuta!
-Esquecer? ¬¬” Yusuke, seus filhos estão me levando à loucura!
-Agora são só meus, né?! ¬¬’ ...Presta atenção: o Kuwabara voltou pra Tóquio. Ele quer treinar o filho sozinho, mas disse que, pra isso, amanhã mesmo a Yukina vai aí pro templo, ficar com você e com as crianças. Vão ficar seguras aí, a velha Genkai escolheu o canto mais seguro do mundo pra construir esse templo, num tem errada.
-Mas vê se não vai se meter em lutas, tá bom?
-Aff, já disse que não, mulher! ¬¬ Mas deixa eu desligar, preciso tentar dormir um pouco porque o dia de treinamento aqui começa ainda de madrugada. u.u
-... Cuide-se, tá?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos e esboçou um leve sorriso, dizendo com a voz mais calma:
-Pode deixar. Você também... Cuida bem das crianças.
-...Tá.
Ele desligou a ligação e sentou-se numa cadeira, pensativo. Sentiu um leve e incomum aperto no peito... Desde que se casara com Keiko, aquela era a primeira vez que se via obrigado a se afastar dela e das crianças... Dos gêmeos que tanta dor de cabeça lhe davam, mas que eram a maior razão de sua vida.
-Ossos do ofício... – Ele suspirou e, largando o telefone em cima da mesa, se levantou.
Saiu da cozinha e seguiu por um extenso corredor. Ao final dele, deparou-se com uma porta. Lembrou-se que, para abri-la, precisava usar o cartão magnético que Kurama havia lhe providenciado.
-Quanta segurança ¬¬’ – Resmungou, pegando o cartão e passando em uma maquininha. Num pequeno visor, surgiu sua foto e seu nome, instantes depois a porta se abriu.
Visualizando o salão, Yusuke percebeu que não era o único que estava de pé. De costas para ele, mexendo nos botões do painel de comando, estava Mai. Usava uma calça e uma blusa de mangas compridas, de um tecido que se moldava ao corpo, e um par de tênis da mesma cor das roupas (cinza). Reparou que, num canto oposto ao que ela estava, havia uma pistola no chão.
De repente, as luzes se apagaram. O teto e as paredes desapareceram, transformando o salão num campo aberto. Nisso, quatro youkais-lobos surgiram atrás de Mai.
-Cuidad... – Yusuke não teve tempo de terminar de gritar. Viu-se calado, de surpresa com o que aconteceu a seguir.
Mai saltou para trás, dando duas “estrelas”. Em seguida, abaixou-se no chão e passou uma rasteira, derrubando, de uma vez só, dois youkais. Virou-se para correr em direção à arma, mas viu seu caminho bloqueado pelos outros dois monstros, os quais socou no meio do rosto. Mais um soco em cada foi o suficiente para derrubá-los e ganhar tempo. Tornou a correr e praticamente se jogou no chão para pegar a pistola. Os youkais se levantaram e foram em sua direção, mas não chegaram a alcançá-la, pois foram atingidos com tiros certeiros.
Quando o último deles caiu no chão, as luzes se acenderam, os monstros desapareceram e o ambiente voltou a ser o que era antes. Parecendo um pouco cansada, Mai largou a arma e apoiou as costas à parede, fechando os olhos. Segundos depois, tornou a abri-los subitamente, pegando novamente a arma e a apontando para frente. Sua surpresa foi grande ao ver que se tratava de Yusuke Urameshi.
-Calma aê, garota! – Disse ele, rindo. Estava surpreso pela percepção da ruiva, algo admirável para quem não possui a energia espiritual desenvolvida. – Não precisa me matar, não sou tão feio assim.
-...Desculpe! – Pediu ela, um pouco sem graça.
Ela abaixou a arma e ele sentou-se no chão, ao lado dela.
-Tudo bem. Costuma treinar sozinha durante a noite?
-Não, mas estava sem sono. Desculpe se te acordei, Urameshi-san.
Ele franziu a testa e pediu:
-Me chame de Yusuke... Ou até de “tio” como me chamava quando criança... Mas você não deve se lembrar disso, não é?!
-Sim, eu lembro.
-Foi fantástico... O seu treinamento.
-Ah, aquilo? ...Não foi nada, treinei com simulação de monstros de categoria “D”, terei que fazer melhor do que isso lá fora.
-Pra quem não possui habilidades espirituais, foi fabuloso.
-Obrigada.
-Me diz, Mai, e o seu irmão? Não o vi por aqui.
-Está em Okinawa.
-Sério? O.o Férias?
-Não, está morando lá... Já há cinco anos.
-Cinco anos? Então era menor de idade quando foi pra lá... E seu pai deixou de boa?
-Eles... Não se dão muito bem.
-Desde quando?
-Desde que a mamãe morreu.
-E vocês dois?
-...Tem muito tempo que não o vejo.
-Falo de você com o seu pai. Não ficou chateada pelo que descobriu hoje?
-Não, por que ficaria?
-Bem... Porque ele te escondeu... Você sabe...
-O motivo da morte da minha mãe? Se ele fez isso, foi porque julgou ser o certo. Não cabe a mim julgá-lo. Sou apenas uma agente.
Yusuke se surpreendeu com aquilo. Parecia que pai e filha, realmente, faziam toda uma questão de manterem um relacionamento cem por cento profissional.
-Mai, antes de ser seu capitão, ele é seu pai.
Ela esboçou um sorriso triste e desviou os olhos para a frente, fitando o nada.
-Não é bem assim que funciona.
Nesse momento, então, Yusuke percebeu que a coisa não era assim tão recíproca. Enquanto Kurama parecia ver a filha meramente como uma agente, Mai não encarava isso como de todo normal. Nutria uma tristeza por isso, mas não revolta... O respeito e a submissão pelo pai eram tantos que ela tentava compreender e justificar porque ele fazia isso... Embora não houvesse justificativas.
Ela tornou a olhá-lo, ainda sorrindo.
-E como está a tia Keiko?
-... Bem. Ficou em Tóquio, com os meninos.
-Tiveram filhos?
-Sim, um casal de gêmeos. Aeka e Yuuki, têm seis anos.
-Parabéns, fico feliz por vocês.
-Valeu. São duas pestes, mas, sabe como é, né?! São as MINHAS pestes ^^” ...Sabe, eu lembro de quando vocês moravam em Tóquio, e Keiko e eu íamos visitá-los. Eu ficava olhando o Kurama com você e com seu irmão, ele me parecia tão feliz... Confesso que sentia uma certa inveja.
Ela sorriu novamente.
-É, mas agora têm os filhos de vocês. Deve se sentir feliz também.
Yusuke ficou sério, e calou-se por um breve instante. Talvez aquilo não fosse de sua conta, mas não podia se calar diante de tal situação. Queria, ao menos, compreender o que afastara tanto Kurama de seus filhos.
-Mai, o que aconteceu entre vocês e seu pai?
-...Entre eu e o capitão? – Ela parece confusa, como se não entendendo a pergunta.
-Vocês eram tão apegados um ao outro, ele te tratava como uma princesinha, era o cara mais coruja desse mundo com os filhos, principalmente com você, que era a garotinha dele. O que afastou vocês desse jeito?
Ela não pareceu hesitar antes de responder, com a mesma calma de antes:
-Urame... Desculpe, Yusuke... Não há nada de errado entre eu e o capit... Digo, entre eu e meu pai. Só que eu não sou mais uma garotinha, agora tenho uma missão importante. Ele me trata do mesmo jeito que trata os demais, porque aqui dentro somos todos agentes. Nossa relação aqui é puramente profissional, não devemos misturar as coisas.
-E em que lugar a relação de vocês passa a ser de pai e filha?
Ela ficou muda e piscou algumas vezes. Parecia que, pela primeira vez, via-se diante de tal questionamento.
Mas não teve tempo de sequer começar a formular uma resposta. Um som, parecido com um alarme de incêndio, soou por todo o ambiente. Yusuke se assustou, confuso com o que seria aquilo. Mai levantou-se e correu até o painel de controle, começando a apertar alguns botões. Logo, num telão de frente para o painel surgiu um mapa da cidade de Nagoya.
-Droga... – Resmungou ela, parecendo um pouco aflita, enquanto mexia nos botões do painel – como é que eu mexo nisso? ...Cadê o Chun que não chega?
Como se para responder à sua pergunta, a porta de acesso ao corredor dos dormitórios se abriu. De lá vieram os demais agentes (todos de pijamas), acompanhados por Suuichi Minamino.
Chun foi até Mai e a afastou do painel, assumindo o comando da situação. Não demorou para que um ponto vermelho surgisse na tela, especificando o ponto onde um ataque estava acontecendo no momento.
Kurama se aproximou, já dando as ordens:
-Watsuki e Smith, podem dar conta do caso?
-Hai. – Responderam os dois citados.
E já iam sair para cumprir a ordem, mas Yusuke os impediu:
-Esperem um pouco aí. – E olhou para Suuichi – Kurama, vai mandar eles dois sozinhos pra enfrentar um youkai, que você nem sabe de que classe é? Aliás, nem sabe se é mesmo apenas um.
-É apenas um – Disse Chun, ainda mexendo no painel de controle – o sistema ainda apresenta defeitos, é impossível detectar a classe do youkai, mas não é da B ou superior, isso teria sido identificado.
-Mas pode ser um de classe C. – Retrucou Yusuke – o que eu acho que esses garotos não estão acostumados a enfrentar.
-Está certo. – Disse Kurama. Então, olhou para Cristiano – Lopes, vá com eles.
O rapaz fez que sim e saiu apressado do local, acompanhado por Mai e Mark.
E uma gigantesca gota escorreu em Yusuke.
-Eu tava sugerindo que EU ou VOCÊ fôssemos. ¬¬’
-Isso não é mais trabalho nosso, Yusuke. – foi a tranqüila resposta do ruivo. – Vou tomar um café, me acompanha?
Sem esperar pela resposta, Kurama seguiu para a cozinha. E mais uma gota escorreu em Yusuke.
-Eu não posso acreditar numa coisa dessas ¬¬’’
-Io também não. – Disse Alexandra, chamando a atenção de Yusuke – Perché io nunca vou para uma dessas missões? u.u
E uma terceira gota se formou na testa do ex-detetive.

*****
O trio não demorou para chegar ao local do ataque. Tratava-se de um armazém abandonado, de dois andares. Estranharam o fato de não haver, aparentemente, nada nem ninguém do local... Apenas caixotes vazios, teias de aranhas e muita sujeira.
-Será que foi alarme falso? – Perguntou Mai, enquanto adentrava o local. Não obtendo resposta, olhou para trás e deparou-se com dois desanimados rapazes. – O que deu em vocês? O.o’
Cristiano bufou, antes de responder:
-Já passa da meia-noite, estávamos no milésimo sono, mas agora estamos aqui, de pijama, procurando por youkais que não estão aqui, e você ainda pergunta o que deu na gente? u.u
Mai suspirou. Percebendo que o serviço daqueles dois não renderia muito essa noite, chegou à conclusão que o mais eficaz seria assumir sozinha o comando da missão. Assim sendo, subiu as escadas para o segundo piso do galpão, deixando os dois na “ronda” pelo primeiro andar.
-Cara, eu tava num sono tão bom. – Resmungou Cristiano, bocejando.
Mark também bocejou.
-E eu, meu! Nossa, tava sonhando que a Deusa da Morte vinha me buscar *.*
-Isso mais me parece um pesadelo u.u
-Não se a Deusa for aquela coisinha linda! *.*
-Tá falando daquela garota de cabelo azul? O.o ...É, ela é bonitinha.
-“Bonitinha”? ¬¬’ Ela é maravilhosa! *.*
-Seja como for, cê não achou ela íntima demais do capitão?
-Acho que ela é do tipo que pega intimidade rápido com todo mundo O.o
-E tu tá louco pra ser íntimo dela também, né?! XD
-Não fale com esse tom sacana ¬¬’ Botan-chan é garota pra casar! *.*
-Botan-CHAN? u.u”
-Eu marquei bobeira, devia ter pedido o telefone dela.
-Acha que guias espirituais usam celular? u.u”
-É a era da tecnologia, meu caro u.u” Mas eu acho também, que... AAAAAH.. Que isso? O.O
Mark parou de andar, olhando assustado para o chão. Cris nem parou para analisar o que era, automaticamente atirou. Depois franziu a testa, ao ver no que havia atirado.
-Meu!!! – Exclamou Mark – Você matou um rato!!! O.O
-Ih, é O.o... Ah, foi sem querer.
-“Sem querer”? ¬¬’ Você matou um bicho inocente! Ò.ó
-Mark ¬¬’... É só um rato!
-É um ser vivo! Ò.ó
-Agora é um ser morto O.o’
-Que humor negro! ¬¬’
-Qual é, Mark? Youkais também são seres vivos, e os matamos todos os dias.
-É diferente. Youkais são seres do mal! Ò.ó
-Ratos também. São roedores que trazem doenças u.u Não vai fazer falta.
-Mas você é um insensível. ¬¬
-Tu é que anda sensível demais u.u
-O amor faz isso com as pessoas *.*
-“Amor”? ¬¬’ Você viu a garota uma vez, Mark! Se liga!
-Mais do que o suficiente para saber que é ela a mulher da minha vida *.*
-Olha, Mark, na boa, eu acho que voc...
Eles pararam quando ouviram um grito vindo do andar de cima. Cris foi o primeiro a correr, subindo as escadas. Mark o seguiu.

*****
Minutos antes...
Com sua arma em mãos, Mai caminhava atenta, olhando para todas as direções. Podia sentir ali a presença de algum youkai, mas não imaginava onde ele pudesse estar. Parou de andar e pôs-se apenas a sentir a presença do inimigo. Apesar de ser uma humana normal (ou quase normal, uma vez que seu pai era um youkai), Mai tinha sua percepção espiritual razoavelmente evoluída, o que a permitia sentir “ki’s” ou “youki’s” nas proximidades.
-Direita – Tão rápido quanto o próprio pensamento, ela girou o corpo para a direita. Tudo o que viu foi um vulto, que desapareceu em menos de um segundo – Esquerda – Ela virou para o outro lado, novamente a tempo de ver a sombra sumir.
Soltou uma das mãos da arma e a levou ao bolso de trás da calça. De lá, tirou seis sementes diferentes, as quais analisou por um rápido momento, antes de escolher uma, de cor marrom. Guardou as demais e pôs-se novamente em posição de ataque. Sentiu novamente a presença, dessa vez bem próxima, atrás de si. Mas não teve tempo de virar-se. Viu-se ser agarrada por um braço a contornar-lhe o pescoço. O revólver escapou-lhe das mãos, caindo no chão. Instintivamente, ela soltou um grito, que foi ouvido pelos rapazes no andar de baixo.

*****
Enquanto isso, na base, Kurama continuava na cozinha, tomando calmamente o seu café. Chun, vendo que não seria mais útil naquela noite, voltou para seu quarto, não demorando a pegar novamente no sono. No salão, estavam apenas Alex e Yusuke. A garota estava sentada no chão, com as costas apoiadas na parede, enquanto o ex-detetive andava de um lado para outro, aflito.
-Eles não já deviam ter voltado?
Tendo em vista que já devia ser a décima vez que a pergunta era repetida, Alex bufou e respondeu secamente:
-Non ¬¬’
-Mas já tem mais de meia hora que eles saíram.
-Perché tá tão preocupado? Eles sabem se cuidar. Fica calmo, logo eles estão de volta.
Percebendo que continuar apreensivo daquele jeito não iria adiantar de nada, Yusuke respirou fundo e sentou-se ao lado de Alex. Após uma breve pausa, desabafou a razão de sua agonia:
-Kurama não devia ter feito isso. Poderia, até, ter mandado os três rapazes, mas não a Mai.
-Impossível. Watsuki-sensei sempre é escalada para as missões.
-Mas não devia ser assim. Eu, no lugar dele, não teria essa coragem. Aonde que eu mandaria minha Aeka pra enfrentar uma parada dessas? Talvez até mandasse o Yuuki, mas é diferente, o moleque é uma peste, enfrenta qualquer um u.u... Mas não a minha garotinha. Não é questão de ser machista, mas com vocês, garotas, é diferente.
-Io non entendo perché. Io é que, até hoje, nunca fui escalada pra uma missão. Acho que o capitão pensa que io sou una garotinha u.u’
Yusuke olhou com o canto dos olhos para aquela loirinha de um metro e meio ao seu lado e deixou uma gota escorrer, ironizando:
-Sério, é? Mas de onde será que ele tirou isso? ¬¬’
-Io non sei! u.u
-¬¬’ ...Fato é que ele está certo em tentar te poupar. E deveria fazer o mesmo com a Mai, ainda mais que é filha dele.
-Non se engane, Urameshi-san. Non há qualquer relação de pai e filha ali. Io já estava aqui há seis meses, quando vi na carteira de estudante dela o sobrenome Minamino, e perguntei que relação ela tinha com o capitão. Ela respondeu, mas non quis prolongar o assunto. Depois, conversando com Mark e Cris, descobri que com eles ocorreu o mesmo: descobriram o parentesco dos dois por acaso. Mas o assunto, per aqui, é evitado ao máximo. Nem o capitão, nem Watsuki-sensei sequer falam sobre isso. Ela non conversa sobre isso nem mesmo com o Cris, que é namorado dela.
-“Cris” é o “Agente Lopes”?
-Sí.
-Interessante... Mai namorar um estrangeiro.
-Qual o problema nisso? O.o
-Problema algum. É apenas... Diferente. Mas por que a chamam de “Watsuki”?
-Io non sei. É o sobrenome de solteira da mãe dela, mas o nome dela é apenas “Mai Minamino”. O “Watsuki” foi adotado apenas aqui dentro. É estranho o próprio pai chamá-la assim, mas acho que é um jeito de se manterem mais distantes aqui dentro... Non sei, deve ser isso.
-Isso é tudo estranho demais.
-Depois de um tempo, você acostuma.
Mas Yusuke estava certo de que não se acostumaria tão cedo.

*****
Ao chegarem, Mark e Cris não avistaram ninguém. Percorreram os olhos pelo ambiente, aflitos.
-MAI! – Chamou Cristiano, parecendo desesperado.
Após o grito, ouviram uma gargalhada ressoar pelo ambiente. Alguns metros à frente deles, surgiu um monstro, com corpo de estrutura humana, pele verde, que contrastava com os olhos vermelhos. Era careca, alto, e usava trajes parecidos com um kimono preto. Segurava Mai pelo pescoço. Pela largura de seu braço, logo eles perceberam que com um pouco mais de força ele quebraria facilmente o pescoço da ruiva.
-Eu quero a pedra. – Gritou o youkai.
-Vou te mostrar a pedra. – Rosnou Cris.
Apontou a arma para a cabeça do monstro, mas, antes que atirasse, este desapareceu, levando Mai consigo. Menos de um segundo depois, tornou a aparecer, a poucos centímetros de distância de onde estava antes. Começou a repetir esse procedimento, dando a Cris e Mark a impressão de ótica de haverem vários youkais, segurando várias Mais diante deles.
-Se atirar, pode atingir a Mai. – Disse Mark.
E Cristiano sabia que ele estava certo. Não poderia arriscar. Assim sendo, os dois soltaram suas armas. O youkai riu novamente e parou com a brincadeira do “some-aparece”, surgindo de vez diante deles. Cris notou que Mai, com esforço, levou uma das mãos às costas do monstro... Não sabia o que ela estava tentando fazer, mas era certo que aquilo tinha algum propósito.
-Eu quero a pedra! – Repetiu o monstro.
-Não temos pedra nenhuma. – Respondeu Mark.
O youkai parou de rir, começando a ficar nervoso:
-A pedra, me entreguem!
-Tá surdo, meu filho? ¬¬’ – Rebateu Cristiano – Nós não temos pedra nenhuma. Agora dá pra soltar a minha gata?
-Sem a pedra, sem a garota.
Dizendo isso, ele ameaçou desaparecer novamente. Porém, por qualquer motivo, não conseguiu.
-Mas o qu... – Começou ele a dizer, mas Mai o interrompeu:
-Agora, Cris!
Entendendo a deixa, o brasileiro apanhou sua arma no chão e atirou. Um tiro certeiro, na cabeça do oponente. Mai caiu ajoelhada no chão e os dois rapazes correram até ela.
-Tá tudo bem? – Perguntou Cristiano.
Ela fez que sim. Mark olhou para o cadáver do youkai, que permanecia de pé como se segurado por algo. Olhando melhor, o americano percebeu que, de fato, era o que acontecia: havia raízes prendendo o corpo ao chão.
-O que é isso? – Indagou o americano.
Mai explicou:
-Ele tinha o poder de se tele-transportar, levando consigo qualquer ser ou objeto que estivesse segurando. Apenas uma falha nesse poder: ele não podia levar consigo o que estivesse preso ao chão.
-Se ele estivesse preso ao chão, não conseguiria se tele-transportar. – concluiu Cris. – Era a única forma de conseguir vencê-lo, anulando essa habilidade dele.
-Perfeito... – Elogiou Mark. – Mas, como fez isso?
-Usei uma semente. – Explicou Mai. – Uma que achei que nunca teria utilidade, mas, enfim, teve.
-Esse sujeitinho é de classe D. – Disse Mark – Acha que essas sementes funcionariam num monstro mais forte?
-Não. – Respondeu Mai – Não tenho energia pra isso.
-De qualquer jeito – Disse Cris, abraçando de lado a namorada – minha gata salvou o dia.
-...Novidade u.u” – Resmungou Mark. – Vamos voltar pra casa. Eu ainda pretendo dormir umas horinhas, quem sabe continuar meu sonho *.*
Cris riu e fez que sim. Após pulverizarem o cadáver do monstro, saíram do local. Antes de sair, no entanto, Mai parou ao avistar um pequeno caderno jogado no chão. O pegou e seguiu os rapazes.
No caminho, Cristiano divertiu-se contando a Mai sobre a nova paixão platônica do americano, que estava tão empolgado que nem ao menos reclamou da “zoação”.

*****
Yusuke chegou a respirar aliviado quando a porta principal do salão se abriu e por ela entraram os três agentes que saíram em missão. Quase que simultaneamente, Kurama também retornou ao local, vindo da cozinha.
-Aleluia! – Exclamou Yusuke, levantando-se e se aproximando dos jovens. Alex o seguiu – Que bom que chegaram, como foi lá?
-Bem... – Mark começou a explicar – Não tinha nenhum ser humano no local, só um rato, que o Cris fez o favor de matar.
-Você matou um rato? O.o – Assombrou-se Alex.
-Começa também não, pirralha ¬¬’ – Resmungou Cristiano.
Mark prosseguiu:
-Tinha um youkaizinho de classe D, Mai deu um jeito nele.
-Não fiz o trabalho sozinha. – Comentou a mencionada.
-Ah, é, o Cris deu um tirozinho, pra fingir que ajudou u.u’
-Atirar é com ele mesmo u.u – Resmungou Alex.
-Principalmente em bichinhos indefesos – Reforçou Mark.
-Querem parar vocês dois? ¬¬’ Sei que o crédito foi todo da minha gata, ela tem idéias fantásticas!
-Posso saber que idéias? – A voz autoritária de Suuichi Minamino chamou-lhes a atenção.
Rapidamente, os três ficaram em posição de sentido, com Mai ao meio. Kurama se aproximou, parando diante dos três e olhando seriamente para a ruiva.
-Diga, que idéia teve, Watsuki?
-... Eu... – Ela abaixou a cabeça, como uma criança que fez algo proibido. – Usei uma planta.
-E o que eu já falei sobre isso?
-Era a única saída, capitão. Não foi nada premeditado.
-Se não foi premeditado, por que estava andando com sementes?
-Para o caso de alguma emergência.
-Você não tem energia para isso, não mexa com o que você não deve mexer.
-Mas, o senhor...
-Você não tem nada haver comigo, Watsuki. Entenda isso.
Ela fechou os olhos por um instante, sentindo o peso daquelas palavras. Peso esse que também pareceu ter sido sentido por todos os presentes no recinto. Abrindo novamente as pálpebras, Mai pegou as sementes que restavam no bolso da calça e as entregou ao pai, dizendo, sem perder o tom submisso de sempre:
-Sim, capitão.
Kurama deu meia-volta para sair do local. Mas, mal deu dois passos e sentiu seu braço preso por Yusuke. Olhou para o amigo, sustentando o olhar nada amigável que recebia.
-Por que tá fazendo isso, Kurama? Não importa os meios, a garota fez um bom trabalho, devia estar orgulhoso e não tratá-la desse jeito.
-Ficarei orgulhoso no dia que parar de tentar ser o que não é.
-Ela é sua filha, Kurama.
-Boa noite, Yusuke.
Com a mesma frieza de antes, Kurama puxou o braço e saiu. Yusuke o seguiu com os olhos, totalmente incrédulo. Por mais que tentasse, não conseguia compreender o que era aquela estranha relação entre Kurama e Mai. Sentiu alguém tocar-lhe o braço e olhou para ver quem era: Alex. Mark estava ao seu lado, e sugeriu:
-Melhor irmos dormir, teremos um dia puxado amanhã.
-Mas... E a Mai?
Alex apontou, e Yusuke seguiu os olhos nessa direção, vendo que a ruiva estava sendo abraçada pelo namorado.
-Talvez, com ele, ela desabafe. – Disse Alex – A gente aqui só vai atrapalhar.
Yusuke compreendeu e concordou. Deixou que os loiros fossem na frente e os seguiu, vez ou outra olhando para o casal que permanecia abraçado. Mai tinha os olhos marejados, tristes, distantes e parecia sentir-se, de fato, protegida nos braços do brasileiro. Yusuke lembrou-se do momento em que Alex contou-lhe sobre Cristiano ser o namorado de Mai, aquilo para ele foi uma surpresa, simplesmente pelo fato de, pelo pouco que conhecera do rapaz, percebera que ele era bem diferente da ruiva. Mai fazia o tipo garota certinha, calada, introspectiva. Cristiano, ao contrário, era um ex-menino de rua, impulsivo e extrovertido... A diferença de etnias apenas reforçava o quão opostos os dois eram, em todos os aspectos. Porém, quem ele era para julgar? Sua própria experiência de vida já era o bastante para confirmar que, às vezes, o cara ideal para uma garota certinha é justamente aquele que não é tão certinho assim... E, no caso de Mai, parecia não haver cara mais certo do que Cris.

*****
Deitado em sua cama, Mark ouviu a porta do quarto se abrir. Por um momento, achou que fosse Cristiano, mas logo percebeu que estava enganado ao ouvir a voz que perguntava, com seu inigualável sotaque:
-Mark, tá acordado?
-... Não u.u
-...Desculpe, amanhã io falo com te.
-Espera, Alex. – Ele sentou-se na cama, olhando para a porta que ficava bem em frente – Eu tava brincando, pode entrar. Só não acende a luz pra não acordar o Chun.
A italiana fez que sim. Enquanto entrava, olhou por um momento para o chinês que dormia na cama do canto direito do quarto... Rapidamente passou por sua mente como ele poderia ser tão alheio a tudo o que acontecia na base.
-Ele já tem preocupações demais. – Respondeu, para si mesma.
Sentou-se na ponta da cama de Mark, ao lado do americano.
-Io tava pensando... Perché o capitão é tão duro com a Watsuki-sensei? Sei que ele é assim com todo mundo, mas non deveria ser tanto com ela.
-Também acho, Alex. Mas se ela que é tratada assim parece não de incomodar...
-Non acho isso. Pelo contrário, ela ficou triste com o que ele disse.
-É, Mai não merecia ouvir aquilo. Ela foi brilhante hoje, como sempre, aliás. Ela é a que mais se dedica aos treinos e às missões, e de longe a que luta melhor... Ela barra até o Chun, e olha que o cara é bom.
-Eu tava pensando... Deve doer ser tratada desse jeito pelo próprio pai. Io non me lembro do meu, mas... Acho que ele deve ter sido um bom pai... Marco dizia que ele era o melhor.
Mark sorriu carinhosamente e passou uma das mãos pelos cabelos da garota.
-É, tenho certeza de que era mesmo. O meu também era um cara legal.
Alex retribuiu o sorriso e vagou os olhou pelo quarto, até notar um caderno na cabeceira do amigo. Curiosa, o pegou.
-Que isso?
-Ah, é, tava esquecendo. Quero que você dê uma olhada.
Ele acendeu a luz do abajur ao lado de sua cama e Alex pôde folhear o caderno. Ela ficou surpresa ao ver que se tratava de uma espécie de dicionário básico italiano – japonês.
-De onde veio isso?
-Mai encontrou lá no galpão. No caminho ela me mostrou, pedi pra que deixasse comigo, pra ver se consigo encontrar algo escrito que indique de quem possa ser. Certamente é a vítima da vez do Makai. Eu olhei, mas, não entendo nada de italiano.
-Aqui só tem traduções... E algo de gramática também O.o... Strani...
-Dá uma olhada com calma pra mim, vê se consegue alguma pista.
-Tá, vou tentar O.o Mas depois, agora preciso dormir. Boa noite, Mark.
-Boa noite.
Ela levantou-se e deu meia volta para sair. Mas parou, parecendo lembrar-se de algo importante. Nisso, voltou-se para Mark.
-Que horas são?
-Não sei, Alex. Deve ser quase duas da manhã, por quê?
-Hoje é... Aniversário de Watsuki-sensei.
Eles se entreolharam em silêncio, ambos dividindo o mesmo pensamento: aquela fora uma péssima maneira de começar um aniversário, ouvindo palavras tão duras do próprio pai.

*****
“Quem é esse cara que acabou de chegar à Cidade? O jeito dele me é bastante familiar, será que... É o TK? Takeru Minamino, filho do Kurama? ...Mas, por que ele resolveu voltar? Apenas para rever a irmã? Uma coisa é certa: pra rever o pai é que não foi, os dois não parecem se dar nada bem. Mas, espere... Agora que ele tirou os óculos... O que há com os olhos dele?”

Próximo Capítulo: “Presentes de aniversário”
NÃO CONHECI O OUTRO MUNDO POR QUERER!

3 Comments:

  • At 10:43 AM, Anonymous Karina said…

    Ahhhhhh esse eu NÃO tinha lido rsrsrsrs...Ahhh atualiza logo!!!

    Bjossss

     
  • At 10:28 AM, Blogger Karina Tiemi said…

    Tadinha da Maiiiii!
    Kurama sabe ser cruel u.u!!

    Ken: Ei, olha a pinta desse tal de Tk...Será que ele vai dar umas porradas no velho??? Finalmente alguém q preste! u.u

    Mayumi: O.o...Porrada!!
    Kitty: Essa fala naum era minha O.o?

    Bjossssssss

     
  • At 11:57 AM, Anonymous Karina said…

    Ahhhh atualiza!! TUM TUM TUM
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