...:::Capítulo dois - Escolhas:::...
-...Li' da sola dentro un brivido... Ma perché lui non c'è...
O sono de Mai parecia lutar contra aquilo com todas as forças que possuía, mas era totalmente impossível ignorar aquela cantoria vinda da cama ao lado. Não que fosse terrivelmente desafinada, pelo contrário, até que era uma voz boa de ouvir... Mas o tom melancólico com que as palavras em italiano eram praticamente gritadas, parecendo querer imitar um concerto ao vivo de "Laura Pausini", era impossível de ser ignorado.
-Strani amori che fanno crescere, e sorridere fra le lacrime... Quante pagine li'da scrivere, sogni e lividi da dividere...
A ruiva abriu um pouco os olhos e olhou para a cantora em questão.
Alexandra estava deitada na cama ao lado, com os fones de um CD player nos ouvidos, os olhos cerrados, num semblante de quem sente profundamente a melodia que está sendo ouvida.
-...Se è un'amori che spesso a questa etá...
-Alex? - Chamou Mai, praticamente num murmúrio. Ainda não havia despertado por completo.
-...Si confondono dentro a quest'anima...
-u.u...Alex? - Repetiu Mai, esfregando os olhos com as mãos.
-...Che sí interroga senza decidire, se è un'amore che fa per noi...
-Alex??? u.u' - Chamou a ruiva pela terceira vez, já sentando na cama.
A italiana, entretanto, continuava a ignorá-la:
-...E quante notti perse a piangere, rileggendo quelle lettere, che non riesci piú a buttare via, la labirinto della nostalgia...
-¬¬’... Bertolli!
Parecendo assustada, Alexandra abriu os olhos, retirou os fones do ouvido e ajoelhou-se na cama, batendo continência.
-Watsuki-sensei!
Mai apenas riu. Não gostava muito daquela mania da garota de tratá-la com tanto respeito e formalidade, e tampouco de tratá-la com autoridade, mas sabia que às vezes essa era a única maneira de obter sua atenção. Esticou o braço e pegou a caixa do CD que estava na cama de Alex.
-Por que está ouvindo Laura Pausini às seis e quarenta da manhã?
-Porque mio CD da Ayumi Hamasaki está arranhado u.u
-Não tinha algo mais... Animado pra começar o dia? ^^"
-Músicas depressivas combinam mais com... La storia della vita u.u
-Olha o italiano!
-...Gomen u.u... Mas esse idioma de vocês é muito... Como é a palavra? ...Difícil!
-Sei que é difícil pra você, Alex. Também sei que está se esforçando bastante, mas será que poderia tentar se esforçar só mais um pouquinho?
-Sí.
-Alex ^^"
-Tá, tá ¬¬' ...Hai, sensei u.u'
-Pode tentar parar também com esse 'sensei'? Somos amigas.
-Hai.
-Então, melhor nos arrumarmos pra irmos pro colégio.
-Hai, sensei.
-^^"...
-Mas non quer dormir mais um pouco?
-Mais quinze minutos? Olha a hora, Alex. Já tá quase no nosso horário.
A loira olhou para o relógio digital na mesinha ao lado de sua cama e assustou-se ao ver que já eram quase sete da manhã. Estivera tão distraída ouvindo música que sequer percebeu o tempo passar.
-Madonna mia!!! O.o
-Alex u.u'
-Tá, tá... ¬¬' Buda seja louvado!
-Também não precisa mudar de religião ^^" Anda, vai tomar seu banho.
Alex pegou o uniforme e entrou no banheiro do quarto. Enquanto isso, Mai organizava seu material escolar.
*****
Quando as duas chegaram à cozinha, usando seus tradicionais uniformes escolares, surpreenderam-se com o fato de todos já estarem acordados, reunidos ao redor da mesa. Apenas Kurama estava de pé, e parecia esperar apenas pela chegada das garotas para começar a tratar de algum assunto importante.
Ele as olhou, com seu habitual jeito sério, e comunicou:
-Temos uma missão importante. Vocês duas, voltem para o quarto e tirem esse uniforme, não irão à aula hoje.
Os olhos verdes de Alex brilharam, na expectativa do que aquilo poderia significar.
-Io também?
-Sim.
Ela sorriu de orelha a orelha. Vendo aquilo, Kurama se perguntava se aquela menina tinha alguma noção de todos os riscos que estava por correr. Pensava se não seria um erro envolvê-la naquilo. Ela era uma criança... Ele sabia que os demais também começaram naquilo nessa faixa etária... Mas Alexandra era diferente. Era realmente uma criança e ele estava convencido de que sempre seria.
As duas deram meia-volta para irem ao quarto, mas ele as chamou novamente.
-Esperem. Antes preciso tratar de algo sério com vocês. Principalmente com Watsuki e Lopes.
Os dois citados o olharam, preocupados. Kurama desdobrou o jornal que estava em suas mãos e o abriu em cima da mesa. As garotas se aproximaram, juntando seus rostos aos dos três rapazes que também se inclinaram para lerem a matéria que o capitão os mostrava. Uma grande gota foi dividida pelos cinco, ao lerem a manchete:
O sono de Mai parecia lutar contra aquilo com todas as forças que possuía, mas era totalmente impossível ignorar aquela cantoria vinda da cama ao lado. Não que fosse terrivelmente desafinada, pelo contrário, até que era uma voz boa de ouvir... Mas o tom melancólico com que as palavras em italiano eram praticamente gritadas, parecendo querer imitar um concerto ao vivo de "Laura Pausini", era impossível de ser ignorado.
-Strani amori che fanno crescere, e sorridere fra le lacrime... Quante pagine li'da scrivere, sogni e lividi da dividere...
A ruiva abriu um pouco os olhos e olhou para a cantora em questão.
Alexandra estava deitada na cama ao lado, com os fones de um CD player nos ouvidos, os olhos cerrados, num semblante de quem sente profundamente a melodia que está sendo ouvida.
-...Se è un'amori che spesso a questa etá...
-Alex? - Chamou Mai, praticamente num murmúrio. Ainda não havia despertado por completo.
-...Si confondono dentro a quest'anima...
-u.u...Alex? - Repetiu Mai, esfregando os olhos com as mãos.
-...Che sí interroga senza decidire, se è un'amore che fa per noi...
-Alex??? u.u' - Chamou a ruiva pela terceira vez, já sentando na cama.
A italiana, entretanto, continuava a ignorá-la:
-...E quante notti perse a piangere, rileggendo quelle lettere, che non riesci piú a buttare via, la labirinto della nostalgia...
-¬¬’... Bertolli!
Parecendo assustada, Alexandra abriu os olhos, retirou os fones do ouvido e ajoelhou-se na cama, batendo continência.
-Watsuki-sensei!
Mai apenas riu. Não gostava muito daquela mania da garota de tratá-la com tanto respeito e formalidade, e tampouco de tratá-la com autoridade, mas sabia que às vezes essa era a única maneira de obter sua atenção. Esticou o braço e pegou a caixa do CD que estava na cama de Alex.
-Por que está ouvindo Laura Pausini às seis e quarenta da manhã?
-Porque mio CD da Ayumi Hamasaki está arranhado u.u
-Não tinha algo mais... Animado pra começar o dia? ^^"
-Músicas depressivas combinam mais com... La storia della vita u.u
-Olha o italiano!
-...Gomen u.u... Mas esse idioma de vocês é muito... Como é a palavra? ...Difícil!
-Sei que é difícil pra você, Alex. Também sei que está se esforçando bastante, mas será que poderia tentar se esforçar só mais um pouquinho?
-Sí.
-Alex ^^"
-Tá, tá ¬¬' ...Hai, sensei u.u'
-Pode tentar parar também com esse 'sensei'? Somos amigas.
-Hai.
-Então, melhor nos arrumarmos pra irmos pro colégio.
-Hai, sensei.
-^^"...
-Mas non quer dormir mais um pouco?
-Mais quinze minutos? Olha a hora, Alex. Já tá quase no nosso horário.
A loira olhou para o relógio digital na mesinha ao lado de sua cama e assustou-se ao ver que já eram quase sete da manhã. Estivera tão distraída ouvindo música que sequer percebeu o tempo passar.
-Madonna mia!!! O.o
-Alex u.u'
-Tá, tá... ¬¬' Buda seja louvado!
-Também não precisa mudar de religião ^^" Anda, vai tomar seu banho.
Alex pegou o uniforme e entrou no banheiro do quarto. Enquanto isso, Mai organizava seu material escolar.
*****
Quando as duas chegaram à cozinha, usando seus tradicionais uniformes escolares, surpreenderam-se com o fato de todos já estarem acordados, reunidos ao redor da mesa. Apenas Kurama estava de pé, e parecia esperar apenas pela chegada das garotas para começar a tratar de algum assunto importante.
Ele as olhou, com seu habitual jeito sério, e comunicou:
-Temos uma missão importante. Vocês duas, voltem para o quarto e tirem esse uniforme, não irão à aula hoje.
Os olhos verdes de Alex brilharam, na expectativa do que aquilo poderia significar.
-Io também?
-Sim.
Ela sorriu de orelha a orelha. Vendo aquilo, Kurama se perguntava se aquela menina tinha alguma noção de todos os riscos que estava por correr. Pensava se não seria um erro envolvê-la naquilo. Ela era uma criança... Ele sabia que os demais também começaram naquilo nessa faixa etária... Mas Alexandra era diferente. Era realmente uma criança e ele estava convencido de que sempre seria.
As duas deram meia-volta para irem ao quarto, mas ele as chamou novamente.
-Esperem. Antes preciso tratar de algo sério com vocês. Principalmente com Watsuki e Lopes.
Os dois citados o olharam, preocupados. Kurama desdobrou o jornal que estava em suas mãos e o abriu em cima da mesa. As garotas se aproximaram, juntando seus rostos aos dos três rapazes que também se inclinaram para lerem a matéria que o capitão os mostrava. Uma grande gota foi dividida pelos cinco, ao lerem a manchete:
"Eles estão entre nós"
Funcionário de supermercado garante ter sido alvo de um ataque alienígena.
Funcionário de supermercado garante ter sido alvo de um ataque alienígena.
-O.o...- Mark leu, em voz alta - "Primeiro foi o monstro. Depois, apareceram dois com aparência humana, que o abduziram. Eles estão em guerra e nosso planeta virou a trincheira"... O.o
-Dio Santo... O.o' - Murmurou Alex.
-Esse cara não bate bem O.o - comentou Cristiano - Então, minha gata e eu temos cara de alienígenas? ¬¬
-Isso não podia ter acontecido... - Disse Mai.
Kurama moveu a cabeça, concordando com ela, e falou, chamando novamente a atenção de todos para si:
-Já os adverti várias vezes quanto a isso. Precisam ter cuidado, não podem lutar desse jeito com pessoas por perto.
Cristiano abriu a boca para responder qualquer coisa, mas tornou a fechá-la, assustado, quando um forte som vindo do salão foi ouvido.
-Tem alguém aí... - Murmurou Mark, olhando para o corredor.
-Madonna mia!!! O.o... Já vamos começar a agir? *.*
-Ainda não. - Respondeu Kurama, tranquilamente - São apenas velhos amigos que convidei. ...Venham.
E ele seguiu pelo corredor. Chun foi o primeiro a se levantar e segui-lo, enquanto os outros quatro permaneceram na cozinha, abismados.
-Desde quando recebemos visitas aqui? O.o - Indagou Mark.
No entanto, a dúvida levantada pro Cristiano era outra:
-Desde quando o capitão tem amigos? O.o'
-Io non saberia responder... Nenhuma das perguntas O.o' - Alex olhou para Mai - ...O que acha, Watsuki-sensei?
A ruiva nada respondeu. Apenas apressou-se em seguir o pai. Os outros três fizeram o mesmo.
*****
-AAAAAAAh... Que saudade! ^_________^
-Er... Eu também... Gasp... O.o
-Achei que não veria você nunca mais, sabia? ;______;
-Eu também senti a falta de vocês, mas será que... GASP... O.o
-Depois de tanto tempo, enfim nossa turma está novamente reunida! ^______^
-É, Botan, mas... Será que poderia me soltar? u.u'
-Er... claro ^^"
Ela afastou-se de Kurama, mas continuou a sorrir. Estava radiante, afinal, fazia um bom tempo em que não se via numa sala junto a Kurama, Kuwabara e Yusuke. Com os dois últimos ela ainda manteve um certo contato durante os últimos anos, mas do ruivo não tinha notícias já há mais de uma década. Estava nostálgica, empolgada, feliz... A única coisa que a incomodava um pouco era o fato de seus amigos estarem 'diferentes'... Embora o tempo não exercesse qualquer efeito nela ou em Koenma-sama, o mesmo não parecia acontecer com os 'humanos'.
-Tem gente que não muda nunca ¬¬' - comentou Yusuke, deixando uma gota escorrer diante da empolgação da guia espiritual.
-É! ^_^ - Respondeu a mencionada - Mas o mesmo não posso dizer de vocês... Que cabelos brancos são esses? O.o'
-São só alguns fios, não amola ¬¬' ...Boa parte deles por culpa de Aeka e Yuuki, mas isso não vem ao caso u.u' - Yusuke olhou para uma das portas, deparando-se com cinco jovens - Então, são esses os seus agentes, Kurama? O.o'
Kurama fez que sim e pediu para que os cinco se aproximassem. Num primeiro momento, eles ainda permaneceram parados, tentando entender quem poderia ser aquelas pessoas... Principalmente a 'garota' que abraçara o capitão com tanta intimidade. ...Dois senhores, um rapaz e uma garota... De onde poderiam conhecer Suuichi Minamino?
Resolvendo que só entenderiam a situação se deixassem que Suuichi explicasse, Chun, Mai e Cristiano se aproximaram. Alex ia segui-los, mas parou ao perceber que Mark não movera um único músculo... Estava estático, olhando fixamente para a garota que havia abraçado o capitão.
-Er... Mark? - chamou Alexandra - Tudo bem? O.o
-O.o... Oh, god...
-O que foi, Mark? O.o' Per Dio, non me assuste.
-Aquela garota, Alex...
-O que tem? Conhece? O.o
-Não, mas... Mas ela... Mas ela é... Ela é...
-Ela é o quê? O.o
-Linda! *.*
Alexandra caiu de cara no chão. Quando se levantou, tomou fôlego para dizer qualquer coisa, mas antes que o fizessem Kurama tornou a chamá-los:
-Vocês dois também, aproximem-se.
E os dois loiros assim fizeram. Pararam um ao lado do outro, formando com os demais uma linha em frente ao capitão. Era a mesma formação de sempre. Por ordem: Mai Watsuki, Chun Yin, Cristiano Lopes, Mark Smith e Alexandra Bertolli... Essa formação não era mero acaso: seguia exatamente a ordem em que eles haviam se tornado agentes indiretos do Reikai.
-Esse é Koenma, líder do mundo espiritual - Disse Kurama, apontando para Koenma.
A surpresa foi geral. Todos já haviam ouvido falar de Koenma-sama, filho de Enma-Daioh, o verdadeiro 'chefe' do esquadrão ao qual faziam parte. Mas jamais poderiam imaginar que se tratasse de um rapaz tão aparentemente jovem.
-Essa - continuou Kurama, dessa vez apontando para a moça de cabelos azuis - é Botan, guia espiritual.
-Olá! ^-^ - apresentou-se a mencionada, empolgada - sou quem guia a travessia das almas pelo rio da morte. Também conhecida, pelos ocidentais, como Deusa da morte, muito prazer ^-^!
-Deusa você é mesmo *.*... - Murmurou Mark. Mas foi tão baixo que apenas Alex pôde ouvir. Ela o trucidou com um rápido olhar, mas ele nem ao menos pareceu perceber.
Kurama prosseguiu com as formais apresentações:
-E esses são Kazuma Kuwabara e Yusuke Urameshi. Dois velhos amigos e companheiros de batalhas.
-Kuwabara e Yusuke? - Sussurrou Mai. Olhou para os dois, forçando a mente para tentar lembrar-se deles. Recordou-se vagamente de Kuwabara, mas Yusuke ela não demorou a reconhecer. Já fazia muito tempo, mas havia coisas que a mente não conseguia apagar.
-E aí, garotos? - Cumprimentou Urameshi - Soube que andam fazendo um bom trabalho.
-Até agora, sim. - Disse Kurama - Acho relevante que saibam que nenhum dos cinco possui qualquer tipo de energia especial. Dependem unicamente de suas habilidades em lutas corporais e armas especiais que desenvolvemos aqui.
-No meu tempo não tinha essa moleza u.u' - Resmungou Yusuke - Só eu sei o que sofri nas mãos daquela velha Genkai ¬¬'
Koenma ainda permanecia um tanto incrédulo diante daquelas condições:
-E ainda assim você acha que eles darão conta, Kurama? Pense bem, não é mais uma situação de youkais menores.
-Isso são eles que decidirão, Koenma.
A curiosidade dos cinco aumentava a cada instante. Percebendo isso, Kurama começou a explicar o que acontecia:
-Ontem houve dois ataques em Tóquio. Kuwabara e Yusuke foram atacados por youkais de classe B.
Cris pareceu surpreso com aquilo:
-Disse classe B? Eu achei que apenas alguns youkais inferiores ainda insistiam em manter o hábito de devorar humanos.
-Sim, mas esses não tinham esse propósito – Explicou Koenma – Eles estavam procurando por algo e achou que talvez Yusuke ou Kuwabara, ou mesmo seus filhos, tivessem. Como acho que todos vocês devem saber, há mais de vinte anos foi realizado um torneio no Makai, para a escolha de um novo rei. O vencedor foi...
-Enki – Completou Cristiano – que instituiu o mandato de três anos e criou uma espécie de “Constituição”, onde a principal regra era “Não perturbar o Ningenkai”... Sabemos dessa historinha toda.
-Certo – Prosseguiu o Líder do Reikai – Então devem saber também que esse período de paz não durou muito. Dez anos depois de retirada, a barreira entre os mundos foi novamente erguida pelo Reikai. Mas, dessa vez, ela estava mais fraca, o que continuou a permitir que youkais de classes E, D e até uns de classe C continuassem a ter trânsito livre pelos dois mundos.
Mark, então, se pronunciou:
-E foi aí que nós entramos. Certo?
-Exato – Afirmou Koenma – Há quatro anos, Kurama iniciou essa nova equipe, com cinco jovens de diferentes lugares do mundo. Mas vocês não foram escolhidos por mero acaso. E o motivo dessa escolha está diretamente ligado ao que aconteceu ontem.
Alex ficou intrigada:
-E o que io tenho a ver com youkais de classe B? O.o’ Nunca nem vi nenhum u.u.
Koenma se aproximou, parando diante dos cinco jovens que se mantinham lado a lado, como num pequeno exército.
-Existe, dentro de cada ser humano, uma coisa chamada “energia espiritual”. Alguns a tem mais desenvolvida, outros menos. Pode-se evoluí-la com treinamentos, mas existem pessoas que já nascem com a sua num nível extraordinariamente alto. Foi descoberta, há pouco tempo, uma “nuance” diferente dessa energia. Quando ela é liberada, sofre uma espécie de “solidificação”.
Ele olhou para Kurama, como quem repassa a palavra. O ruivo, então, se aproximou, parando ao lado do líder espiritual. Pôs a mão no bolso e de lá tirou uma pedra esverdeada, medindo cerca de cinco centímetros de diâmetro, estendendo-a, na palma da mão, em direção aos cinco. Curiosa, Alexandra pegou a pedra, observando-a mais de perto.
Mai, então, indagou:
-E como essa energia se solidifica?
Foi Koenma quem respondeu:
-Quando seu possuidor morre.
-Hein? O.o Eca!!! – Alex fez cara de nojo e soltou a pedra, que caiu no chão – Io segurei a energia de um defunto! ;____;
-Se a energia de determinada quantidade dessas pedras for liberada, - Koenma prosseguiu – produzirá uma força singular... A única capaz de destruir por completo a barreira dos dois mundos.
Yusuke, que estava igualmente surpreso com a história das pedras, se aproximou, dizendo:
-Deixa ver se eu entendi... Tem alguém querendo unir essas pedrinhas para romper a barreira. E quem é o monstrão da vez?
-O atual rei do Makai – Respondeu Koenma – Um youkai de classe S, chamado Rikuo. Durante anos ele se preparou para isso, mas apenas seus subordinados de classes inferiores conseguiam vir para o Ningenkai. Conseguiram até obter algumas dessas pedras, mas ainda não sabiam como liberarem sua energia. Agora parece que, enfim, descobriram, o que foi o suficiente para abrir um “rombo” na barreira. Por isso alguns youkais de classe B já estão conseguindo passar para cá. Se continuarem assim, logo os de classes superiores também conseguirão, até que a barreira seja extinta novamente. Os tempos não são mais de paz, esses youkais não estão para brincadeiras. Durante os últimos anos, o atual rei tratou de alimentar em seu povo o ódio por humanos. Se a barreira novamente for rompida, será um caos.
Kuwabara também entrou na conversa:
-E quantas dessas pedrinhas eles já têm?
Cris foi além:
-Acho que a pergunta é: e no que isso inclui a gente? No que explica o motivo de termos sido escolhidos?
Kurama encarou o rapaz por um breve momento, antes de responder à pergunta de Kuwabara:
-Eles têm quatro. – Ele pegou a pedra que Alex deixara cair no chão e a jogou para Chun, que a agarrou – por muito pouco não têm cinco.
E, nos segundos que se sucederam, lentamente, um a um, os cinco jovens vagavam seus olhos pelo nada, procurando interpretar o que acabaram de ouvir. Mesmo que tudo parecesse óbvio, ainda relutavam em acreditar naquilo.
Alex foi a primeira e exteriorizar a conclusão a qual chegou:
-Mio irmão?
Mark a olhou, parecendo chocado com aquilo... Afinal, ele não fora o único a concluir de quem seriam essas quatro pedras.
-Minha irmã? – Murmurou ele, assustado.
-Meu professor... – Disse Cris, confuso.
-...Minha mãe. – Mai encarou o pai, que, por alguns breves instantes, sustentou esse olhar.
Chun foi o único que não disse uma única palavra. Olhou para a pedra em sua mão e um brilho de ódio passou por seus olhos.
Percebendo que aquilo havia sido um choque para os jovens agentes, Koenma pediu:
-Acho melhor darmos uma pausa, Kurama. Parece que eles precisam de um tempo para digerir o que acabaram de descobrir.
Chun nem ao menos esperou pela resposta de seu capitão, antes de sair, apressado, seguindo pelo corredor que ia para a sala de informática. Todos o seguiram com os olhos, até que o som de fortes soluços chamou-lhes a atenção. Olharam para Alexandra, que chorava incontrolavelmente nos braços de Mark. O loiro também não parecia nada bem, mas se controlava ao máximo para não desabar naquele momento. Seria forte, por Alex.
Preocupada, Mai foi até eles.
-Alex... Calma, querida. Olha, vamos pra cozinha, vou preparar um chá calmante pra você, tá bom? ...Pra você também, Mark, vamos!
O americano saiu, guiando Alex rumo à cozinha. Mai voltou até o namorado e o puxou pela mão, seguindo os loiros.
-Acho que o choque foi grande demais pra eles – Comentou Koenma.
-Eles vão ficar bem. – Disse Kurama, friamente.
Kuwabara, Yusuke e Botan não puderam deixar de se surpreenderem com aquilo. Seu amigo não era mais o mesmo, parecia que a personalidade de Kurama Youko estava cada vez mais forte que a de Suuichi Minamino, e eles conheciam bem a causa daquilo. Tudo começara há dez anos, com a morte de sua esposa Maya. Ao lembrar-se desse dia, uma imagem pareceu nítida na mente de Yusuke, algo que ele acreditava que jamais iria esquecer: uma criança solitária, calada, com um olhar vago a fitar o caixão da mãe ser enterrado. Como estaria hoje aquela menina?
-Sei não. – Disse Botan, arrancando Yusuke de suas lembranças – Eles não me pareciam nada bem. Só a garota ruiva me pareceu bem forte com a revelação.
Koenma sorriu levemente:
-Também, filha de quem é.
A guia e os dois ex-detetives piscaram sincronizadamente. Yusuke foi o que pareceu mais surpreso:
-Aquela moça é... É a Mai?
Um leve aceno de cabeça foi a resposta de Kurama;
*****
-Dio Santo... O.o' - Murmurou Alex.
-Esse cara não bate bem O.o - comentou Cristiano - Então, minha gata e eu temos cara de alienígenas? ¬¬
-Isso não podia ter acontecido... - Disse Mai.
Kurama moveu a cabeça, concordando com ela, e falou, chamando novamente a atenção de todos para si:
-Já os adverti várias vezes quanto a isso. Precisam ter cuidado, não podem lutar desse jeito com pessoas por perto.
Cristiano abriu a boca para responder qualquer coisa, mas tornou a fechá-la, assustado, quando um forte som vindo do salão foi ouvido.
-Tem alguém aí... - Murmurou Mark, olhando para o corredor.
-Madonna mia!!! O.o... Já vamos começar a agir? *.*
-Ainda não. - Respondeu Kurama, tranquilamente - São apenas velhos amigos que convidei. ...Venham.
E ele seguiu pelo corredor. Chun foi o primeiro a se levantar e segui-lo, enquanto os outros quatro permaneceram na cozinha, abismados.
-Desde quando recebemos visitas aqui? O.o - Indagou Mark.
No entanto, a dúvida levantada pro Cristiano era outra:
-Desde quando o capitão tem amigos? O.o'
-Io non saberia responder... Nenhuma das perguntas O.o' - Alex olhou para Mai - ...O que acha, Watsuki-sensei?
A ruiva nada respondeu. Apenas apressou-se em seguir o pai. Os outros três fizeram o mesmo.
*****
-AAAAAAAh... Que saudade! ^_________^
-Er... Eu também... Gasp... O.o
-Achei que não veria você nunca mais, sabia? ;______;
-Eu também senti a falta de vocês, mas será que... GASP... O.o
-Depois de tanto tempo, enfim nossa turma está novamente reunida! ^______^
-É, Botan, mas... Será que poderia me soltar? u.u'
-Er... claro ^^"
Ela afastou-se de Kurama, mas continuou a sorrir. Estava radiante, afinal, fazia um bom tempo em que não se via numa sala junto a Kurama, Kuwabara e Yusuke. Com os dois últimos ela ainda manteve um certo contato durante os últimos anos, mas do ruivo não tinha notícias já há mais de uma década. Estava nostálgica, empolgada, feliz... A única coisa que a incomodava um pouco era o fato de seus amigos estarem 'diferentes'... Embora o tempo não exercesse qualquer efeito nela ou em Koenma-sama, o mesmo não parecia acontecer com os 'humanos'.
-Tem gente que não muda nunca ¬¬' - comentou Yusuke, deixando uma gota escorrer diante da empolgação da guia espiritual.
-É! ^_^ - Respondeu a mencionada - Mas o mesmo não posso dizer de vocês... Que cabelos brancos são esses? O.o'
-São só alguns fios, não amola ¬¬' ...Boa parte deles por culpa de Aeka e Yuuki, mas isso não vem ao caso u.u' - Yusuke olhou para uma das portas, deparando-se com cinco jovens - Então, são esses os seus agentes, Kurama? O.o'
Kurama fez que sim e pediu para que os cinco se aproximassem. Num primeiro momento, eles ainda permaneceram parados, tentando entender quem poderia ser aquelas pessoas... Principalmente a 'garota' que abraçara o capitão com tanta intimidade. ...Dois senhores, um rapaz e uma garota... De onde poderiam conhecer Suuichi Minamino?
Resolvendo que só entenderiam a situação se deixassem que Suuichi explicasse, Chun, Mai e Cristiano se aproximaram. Alex ia segui-los, mas parou ao perceber que Mark não movera um único músculo... Estava estático, olhando fixamente para a garota que havia abraçado o capitão.
-Er... Mark? - chamou Alexandra - Tudo bem? O.o
-O.o... Oh, god...
-O que foi, Mark? O.o' Per Dio, non me assuste.
-Aquela garota, Alex...
-O que tem? Conhece? O.o
-Não, mas... Mas ela... Mas ela é... Ela é...
-Ela é o quê? O.o
-Linda! *.*
Alexandra caiu de cara no chão. Quando se levantou, tomou fôlego para dizer qualquer coisa, mas antes que o fizessem Kurama tornou a chamá-los:
-Vocês dois também, aproximem-se.
E os dois loiros assim fizeram. Pararam um ao lado do outro, formando com os demais uma linha em frente ao capitão. Era a mesma formação de sempre. Por ordem: Mai Watsuki, Chun Yin, Cristiano Lopes, Mark Smith e Alexandra Bertolli... Essa formação não era mero acaso: seguia exatamente a ordem em que eles haviam se tornado agentes indiretos do Reikai.
-Esse é Koenma, líder do mundo espiritual - Disse Kurama, apontando para Koenma.
A surpresa foi geral. Todos já haviam ouvido falar de Koenma-sama, filho de Enma-Daioh, o verdadeiro 'chefe' do esquadrão ao qual faziam parte. Mas jamais poderiam imaginar que se tratasse de um rapaz tão aparentemente jovem.
-Essa - continuou Kurama, dessa vez apontando para a moça de cabelos azuis - é Botan, guia espiritual.
-Olá! ^-^ - apresentou-se a mencionada, empolgada - sou quem guia a travessia das almas pelo rio da morte. Também conhecida, pelos ocidentais, como Deusa da morte, muito prazer ^-^!
-Deusa você é mesmo *.*... - Murmurou Mark. Mas foi tão baixo que apenas Alex pôde ouvir. Ela o trucidou com um rápido olhar, mas ele nem ao menos pareceu perceber.
Kurama prosseguiu com as formais apresentações:
-E esses são Kazuma Kuwabara e Yusuke Urameshi. Dois velhos amigos e companheiros de batalhas.
-Kuwabara e Yusuke? - Sussurrou Mai. Olhou para os dois, forçando a mente para tentar lembrar-se deles. Recordou-se vagamente de Kuwabara, mas Yusuke ela não demorou a reconhecer. Já fazia muito tempo, mas havia coisas que a mente não conseguia apagar.
-E aí, garotos? - Cumprimentou Urameshi - Soube que andam fazendo um bom trabalho.
-Até agora, sim. - Disse Kurama - Acho relevante que saibam que nenhum dos cinco possui qualquer tipo de energia especial. Dependem unicamente de suas habilidades em lutas corporais e armas especiais que desenvolvemos aqui.
-No meu tempo não tinha essa moleza u.u' - Resmungou Yusuke - Só eu sei o que sofri nas mãos daquela velha Genkai ¬¬'
Koenma ainda permanecia um tanto incrédulo diante daquelas condições:
-E ainda assim você acha que eles darão conta, Kurama? Pense bem, não é mais uma situação de youkais menores.
-Isso são eles que decidirão, Koenma.
A curiosidade dos cinco aumentava a cada instante. Percebendo isso, Kurama começou a explicar o que acontecia:
-Ontem houve dois ataques em Tóquio. Kuwabara e Yusuke foram atacados por youkais de classe B.
Cris pareceu surpreso com aquilo:
-Disse classe B? Eu achei que apenas alguns youkais inferiores ainda insistiam em manter o hábito de devorar humanos.
-Sim, mas esses não tinham esse propósito – Explicou Koenma – Eles estavam procurando por algo e achou que talvez Yusuke ou Kuwabara, ou mesmo seus filhos, tivessem. Como acho que todos vocês devem saber, há mais de vinte anos foi realizado um torneio no Makai, para a escolha de um novo rei. O vencedor foi...
-Enki – Completou Cristiano – que instituiu o mandato de três anos e criou uma espécie de “Constituição”, onde a principal regra era “Não perturbar o Ningenkai”... Sabemos dessa historinha toda.
-Certo – Prosseguiu o Líder do Reikai – Então devem saber também que esse período de paz não durou muito. Dez anos depois de retirada, a barreira entre os mundos foi novamente erguida pelo Reikai. Mas, dessa vez, ela estava mais fraca, o que continuou a permitir que youkais de classes E, D e até uns de classe C continuassem a ter trânsito livre pelos dois mundos.
Mark, então, se pronunciou:
-E foi aí que nós entramos. Certo?
-Exato – Afirmou Koenma – Há quatro anos, Kurama iniciou essa nova equipe, com cinco jovens de diferentes lugares do mundo. Mas vocês não foram escolhidos por mero acaso. E o motivo dessa escolha está diretamente ligado ao que aconteceu ontem.
Alex ficou intrigada:
-E o que io tenho a ver com youkais de classe B? O.o’ Nunca nem vi nenhum u.u.
Koenma se aproximou, parando diante dos cinco jovens que se mantinham lado a lado, como num pequeno exército.
-Existe, dentro de cada ser humano, uma coisa chamada “energia espiritual”. Alguns a tem mais desenvolvida, outros menos. Pode-se evoluí-la com treinamentos, mas existem pessoas que já nascem com a sua num nível extraordinariamente alto. Foi descoberta, há pouco tempo, uma “nuance” diferente dessa energia. Quando ela é liberada, sofre uma espécie de “solidificação”.
Ele olhou para Kurama, como quem repassa a palavra. O ruivo, então, se aproximou, parando ao lado do líder espiritual. Pôs a mão no bolso e de lá tirou uma pedra esverdeada, medindo cerca de cinco centímetros de diâmetro, estendendo-a, na palma da mão, em direção aos cinco. Curiosa, Alexandra pegou a pedra, observando-a mais de perto.
Mai, então, indagou:
-E como essa energia se solidifica?
Foi Koenma quem respondeu:
-Quando seu possuidor morre.
-Hein? O.o Eca!!! – Alex fez cara de nojo e soltou a pedra, que caiu no chão – Io segurei a energia de um defunto! ;____;
-Se a energia de determinada quantidade dessas pedras for liberada, - Koenma prosseguiu – produzirá uma força singular... A única capaz de destruir por completo a barreira dos dois mundos.
Yusuke, que estava igualmente surpreso com a história das pedras, se aproximou, dizendo:
-Deixa ver se eu entendi... Tem alguém querendo unir essas pedrinhas para romper a barreira. E quem é o monstrão da vez?
-O atual rei do Makai – Respondeu Koenma – Um youkai de classe S, chamado Rikuo. Durante anos ele se preparou para isso, mas apenas seus subordinados de classes inferiores conseguiam vir para o Ningenkai. Conseguiram até obter algumas dessas pedras, mas ainda não sabiam como liberarem sua energia. Agora parece que, enfim, descobriram, o que foi o suficiente para abrir um “rombo” na barreira. Por isso alguns youkais de classe B já estão conseguindo passar para cá. Se continuarem assim, logo os de classes superiores também conseguirão, até que a barreira seja extinta novamente. Os tempos não são mais de paz, esses youkais não estão para brincadeiras. Durante os últimos anos, o atual rei tratou de alimentar em seu povo o ódio por humanos. Se a barreira novamente for rompida, será um caos.
Kuwabara também entrou na conversa:
-E quantas dessas pedrinhas eles já têm?
Cris foi além:
-Acho que a pergunta é: e no que isso inclui a gente? No que explica o motivo de termos sido escolhidos?
Kurama encarou o rapaz por um breve momento, antes de responder à pergunta de Kuwabara:
-Eles têm quatro. – Ele pegou a pedra que Alex deixara cair no chão e a jogou para Chun, que a agarrou – por muito pouco não têm cinco.
E, nos segundos que se sucederam, lentamente, um a um, os cinco jovens vagavam seus olhos pelo nada, procurando interpretar o que acabaram de ouvir. Mesmo que tudo parecesse óbvio, ainda relutavam em acreditar naquilo.
Alex foi a primeira e exteriorizar a conclusão a qual chegou:
-Mio irmão?
Mark a olhou, parecendo chocado com aquilo... Afinal, ele não fora o único a concluir de quem seriam essas quatro pedras.
-Minha irmã? – Murmurou ele, assustado.
-Meu professor... – Disse Cris, confuso.
-...Minha mãe. – Mai encarou o pai, que, por alguns breves instantes, sustentou esse olhar.
Chun foi o único que não disse uma única palavra. Olhou para a pedra em sua mão e um brilho de ódio passou por seus olhos.
Percebendo que aquilo havia sido um choque para os jovens agentes, Koenma pediu:
-Acho melhor darmos uma pausa, Kurama. Parece que eles precisam de um tempo para digerir o que acabaram de descobrir.
Chun nem ao menos esperou pela resposta de seu capitão, antes de sair, apressado, seguindo pelo corredor que ia para a sala de informática. Todos o seguiram com os olhos, até que o som de fortes soluços chamou-lhes a atenção. Olharam para Alexandra, que chorava incontrolavelmente nos braços de Mark. O loiro também não parecia nada bem, mas se controlava ao máximo para não desabar naquele momento. Seria forte, por Alex.
Preocupada, Mai foi até eles.
-Alex... Calma, querida. Olha, vamos pra cozinha, vou preparar um chá calmante pra você, tá bom? ...Pra você também, Mark, vamos!
O americano saiu, guiando Alex rumo à cozinha. Mai voltou até o namorado e o puxou pela mão, seguindo os loiros.
-Acho que o choque foi grande demais pra eles – Comentou Koenma.
-Eles vão ficar bem. – Disse Kurama, friamente.
Kuwabara, Yusuke e Botan não puderam deixar de se surpreenderem com aquilo. Seu amigo não era mais o mesmo, parecia que a personalidade de Kurama Youko estava cada vez mais forte que a de Suuichi Minamino, e eles conheciam bem a causa daquilo. Tudo começara há dez anos, com a morte de sua esposa Maya. Ao lembrar-se desse dia, uma imagem pareceu nítida na mente de Yusuke, algo que ele acreditava que jamais iria esquecer: uma criança solitária, calada, com um olhar vago a fitar o caixão da mãe ser enterrado. Como estaria hoje aquela menina?
-Sei não. – Disse Botan, arrancando Yusuke de suas lembranças – Eles não me pareciam nada bem. Só a garota ruiva me pareceu bem forte com a revelação.
Koenma sorriu levemente:
-Também, filha de quem é.
A guia e os dois ex-detetives piscaram sincronizadamente. Yusuke foi o que pareceu mais surpreso:
-Aquela moça é... É a Mai?
Um leve aceno de cabeça foi a resposta de Kurama;
*****
Sentada numa cadeira, Alex ainda chorava, já um pouco mais calma, sendo abraçada por Mark. Encostado à parede, próximo à porta, estava Cristiano, com os braços cruzados e o olhar distante... Tanto quanto sua mente, que recapitulava acontecimentos de quatro anos atrás. Apenas voltou a si quando uma xícara surgiu diante dos seus olhos. Aquela que lhe oferecia o chá sorriu-lhe com carinho.
-Beba, vai te fazer bem.
Ele aceitou e bebeu um gole. Forçou-se a beber mais, mas não conseguiu devido ao ‘nó’ que se instalava na garganta. Mai passou a mão pelo braço dele e o olhou nos olhos. Cris sentiu força naqueles olhos castanhos... A força que precisava sentir para desabafar a angústia que lhe apertava o peito:
-Ele era o cara que menos merecia ter um fim daquele. Era como um pai pra mim... Pai... Humpf, nem conheci o meu, nem sei se está vivo ou morto. Andréa era uma alheia, tanto que, quando morreu, não me fez a menor falta... Ela não gostava de mim e eu menos dela. ...Acha um absurdo ouvir alguém falar assim da própria mãe?
-Não. – Respondeu Mai, de imediato – Ninguém é obrigado a amar outra pessoa por um mero parentesco. Se ela não foi uma boa mãe, não tem porque se sentir culpado por não amá-la.
-Mas ele era diferente... O cara não era nada meu, mas me levou pra casa, cuidou de mim como um pai de verdade. Ele era mais do que um mero professor... Era toda a minha família. Morreu nas mãos de um monstro infeliz... Por causa de uma maldita pedra? Isso não é justo, Mai!
Ele abaixou a cabeça e respirou fundo, controlando-se bravamente para não começar a chorar diante da namorada. Mai suspirou, tomando fôlego para dizer alguma coisa, mas viu-se cortada pela voz chorosa de Alex:
-Mio irmão também era a única família que io tinha.
Cristiano e Mai a olharam. Ela ainda estava abraçada a Mark e tentava controlar os próprios soluços. Assim que conseguiu, continuou:
-Ele era pouco mais velho que o Mark, tinha vinte e dois anos. Desde que a mama morreu, ele passou a cuidar de mim. – Ela afastou-se um pouco do amigo americano e começou a fitá-lo – Tinha os olhos como os do Mark, azuis... Até o nome era parecido... “Marco”... Ele dizia que a gente ia ficar bem, porque tínhamos um ao outro... Mas, agora que ele não tá mais aqui, io me sinto... Tão sozinha...
O choro dela tornou a se intensificar e Mark a puxou pra junto de si, abraçando-a novamente. Ele sorriu de leve, enquanto algumas lágrimas também começavam a rolar pelo seu rosto.
-Jennifer também era parecida com você, sabia? – disse ele – Eu também cuidava dela, do mesmo jeito que o Marco cuidava de você... E ela também era a minha única família.
-Parem de dizer isso. – Pediu Mai, chamando a atenção de todos para si – Sei que sentem falta dessas pessoas, mas não podem achar que estão sozinhos agora... Nunca estaremos sozinhos enquanto tivermos uns aos outros. Somos uma família agora.
E eles sabiam que ela tinha razão. Com certeza estariam sozinhos se Suuichi Minamino não os tivesse levado para a equipe... Ali, os quatro tinham uns aos outros. Cris sorriu e se aproximou, passando um dos braços pelos ombros de Mai. Mark e Alex se afastaram, cada um tratando de enxugar as próprias lágrimas. A italiana, então, tratou de quebrar aquele clima pesado:
-Quando vocês dois se casarem, poderiam me adotar, não é?
Os três riram. Cris, então, brincou:
-Mas aí teremos que adotar o Mark também.
-Engraçadinho... – Resmungou o americano, desfazendo o sorriso como quem não gosta muito da brincadeira.
Porém, quando Mai, Cris e Alex riram novamente, ele deu-se por vencido e riu junto.
-Eia! – Gritou Alexandra, empolgada, levantando-se da cadeira num pulo – Precisamos voltar pro salão, vamos começar o treinamento pesado pra poder acabar com aqueles monstrengos feios do Makai! Ò.ó
-É isso aí! – concordou Mark, também se levantando.
Mai fez que sim e ia virar-se para sair da cozinha, mas Cristiano a segurou pelo braço.
-Vão vocês dois na frente – disse ele aos loiros – minha gata e eu já vamos.
-Hummmm... Vão namorar, né?! ^-^
-Cala a boca e vai logo, pirralha ¬¬’
-Tá, tá... Io já vou... u.u’ Que estresse, Madonna mia ¬¬’
Os dois saíram, deixando o casal de namorados sozinho na cozinha. Cris, então, segurou a mão de Mai junto às suas e, olhando-a nos olhos, perguntou, preocupado:
-E você, como está?
Para a surpresa dele, aquele rosto que não havia derramado uma única lágrima, mesmo diante da pergunta sorriu docemente.
-Estou bem.
-Não pode estar bem, Mai.
-Estou, Cris. Agora sei que o alvo não era eu... Minha mãe não morreu por minha culpa. Acho que minha consciência está mais leve agora.
-E isso faz você se sentir melhor?
-... Acho que sim. – Ela começou a puxá-lo – Vem, vamos antes que o capitão mande nos chamar.
Ele deixou-se ser guiado por ela, rumo ao salão. No entanto, ainda não aceitava que Mai pudesse estar encarando aquilo tudo com tanta naturalidade.
*****
Minutos antes, no salão...
-Não é possível que ela seja a Mai!!! O.O – Assombrou-se Yusuke.
Kuwabara não entendia o motivo de tanto alarde. Também ficou surpreso em saber que uma das integrantes da equipe era filha do amigo, mas achava que Yusuke estava exagerando um pouco no assombro.
-As crianças crescem, Urameshi. u.u’
-Não se trata disso, pastel ¬¬’ Eu lembro bem dessa menina, era assustada, frágil... E ficou ainda mais depois que... Bem, depois que ficou órfã u.u... Kurama, como pôde colocar sua filha nessa equipe? ¬¬’
O ruivo nada respondeu, mas Kuwabara, tomando as dores, fez isso por ele:
-Qual o problema nisso? ¬¬’ Também sonho em ver meu garoto lutando bravamente! *.*
-Seu filho, é diferente ¬¬’ Talvez eu colocasse meus filhos nisso também, mas é diferente u.u’ Você não conheceu a pequena Mai como eu conheci, ela é indefesa demais pra isso!
Koenma, então, resolveu entrar na conversa:
-Ela não é mais uma criança, Yusuke. Aliás, já assisti a alguns vídeos de treinamentos deles e pude ver que de indefesa ela não tem nada.
-Mai não deve ter mudado tanto assim ¬¬’ – Retrucou o ex-detetive. Tornou a olhar para Kurama – Se fez isso com a Mai, o que fez com o seu filho? Não o vi por aqui.
-Yusuke... – Disse Kurama, calmamente – Temos problemas mais sérios pra resolver. Acho que minha vida familiar realmente não vem ao caso.
-É claro que vem ¬¬ Kurama, você é o cara que teria a família perfeita, eu sempre tive essa certeza. Era pra ter uma filha médica e um filho advogado, ou vice versa. Eu teria os filhos rebeldes sem causa, e o Kuwabara teria o filho boiola.
-Ei! ¬¬’
-Qual é, Kuwabara? Era a minha visão fatídica de futuro u.u
Kurama abriu a boca para dizer algo, mas Botan (que até então estava ausente da conversa, fuçando os controles de simulação de treinos), o interrompeu:
-Eles voltaram! ^-^
Todos olharam para a direção em que ela apontava, avistando o casal de loiros chegando ao local. Mai e Cristiano vinham logo atrás. Alex passou direto, seguindo em direção à sala de informática. Os outros três pararam, formando uma pequena linha diante do capitão.
Kurama seguiu a italiana com os olhos, já sabendo pra onde ela estava indo.
*****
Ele ainda mantinha os olhos fixos naquela pedra, enquanto passava delicadamente os dedos por ela, como se, dessa forma, ainda conseguisse sentir a energia da pessoa a quem ela pertencera. Em seus olhos, nenhuma tristeza, apenas ódio... Talvez, algum dia, poderia sentir essa tristeza... Mas apenas teria paz para isso no dia em que vingasse a morte daquela pessoa.
Estava sentado em sua cadeira, diante de seus computadores, de costas para a porta. Mesmo assim, sentiu quando esta foi aberta e já até imaginava quem poderia estar ali... Aquela menina não tinha jeito, pensou.
-O que você quer? – Perguntou ele, antes que ela dissesse qualquer coisa.
Alex levou um certo susto diante da pergunta... Apesar de sempre ser tratada com frieza por aquele rapaz, dessa vez havia algo de agressividade em sua voz... E isso a amedrontou, num primeiro momento. Porém, respirou fundo e disse o motivo de sua ida até ali:
-É que... O capitão aguarda una risposta.
-Não compreendo seu dialeto. – Retrucou ele, ainda sem sequer olhá-la.
Alex sentiu-se constrangida com o comentário, e repetiu o que havia dito, pausadamente para não se embolar com as pronúncias:
-O capitão aguarda... Uma resposta.
-Então, diga a ele que não posso perder tempo com reuniões, ele já disse o que tinha pra dizer. O tempo está correndo, ainda tenho que normalizar o sistema, senão não será possível detectar futuros ataques.
-Sí. – Ela fez menção de que iria embora, mas voltou-se novamente para Chun - Io... Preciso perguntar algo. Esta pedra, de quem era?
Uma breve pausa antecedeu a resposta do chinês:
-Não é da sua conta.
Mas a italiana não se intimidou com isso:
-Irmãos? Pais? Avós? Algum amico?
-Já disse que não é da sua conta.
Ela percebeu que de nada adiantaria insistir. Entretanto, queria compartilhar com ele toda a paz que havia adquirido na conversa que teve com os amigos na cozinha, minutos antes... Não achava justo que Chun não fosse incluído naquilo:
-Una das quatro pedras era de mio irmão Marco. Io o amava muito, você também devia amar muito essa pessoa, né? Mas non precisamos sofrer tanto por causa disso, perché non estamos sozinhos... Nós cinco temos um ao outro, somos una família agora.
-...Bertolli?
-Sí! – Os olhos verdes brilharam de expectativa e esperança, para, em seguida, mergulharem em decepção diante da resposta:
-Não preciso de família, preciso apenas de paz para tentar normalizar o sistema. Então, se não se importa, dá pra me deixar sozinho?
Ela abaixou a cabeça e, tristemente, saiu da sala. Chun continuou a fitar a pedra em suas mãos.
*****
Mai, Cristiano e Mark. Nesta ordem, eles estavam, lado a lado, formando uma linha diante do capitão Minamino, que, em silêncio, aguardava pelo retorno de Alexandra e Chun. Kuwabara, Koenma e Yusuke estavam um pouco afastados, apenas observando e fazendo suas análises pessoais de cada um dos agentes. Em nada aqueles jovens lembravam a antiga equipe formada por eles... Pareciam uma coisa construída, meros seguidores de ordens, sem opiniões próprias.
Deixaram suas análises de lado quando a caçula do grupo retornou ao local, correndo afobada, e se uniu aos demais, em sua já ensaiada posição.
-O agente Yin está ocupado, cuidando da normalização do sistema. – Disse ela, um pouco ofegante.
Kurama fez que sim e perguntou:
-E então, o que decidem?
Mai deu um passo à frente e, com a formalidade de uma subordinada, declarou:
-Decidimos lutar, capitão.
-Podem pensar melhor sobre isso. Não será mais como antes, agora os riscos são maiores. Até hoje só enfrentaram youkais de classes D e C... Precisarão de um severo treinamento para se prepararem para os monstros que estão por vir.
-Sabemos disso, capitão – Respondeu a ruiva – estamos dispostos a correr esses riscos. É a nossa missão.
-Parou tudo! u.u – Yusuke se meteu na conversa, fazendo sinal de “tempo” com as mãos – Estão dispostos a entrarem de cabeça numa guerra, apenas por “obrigação”?
Mai ia dizer que sim, mas, antes que sequer abrisse a boca para isso, Cristiano deu um passo à frente, parando ao seu lado.
-Na verdade, - Disse ele – não é por pura obrigação... Justiça, vingança, chame como quiser, mas a verdade é que pisaram no nosso calo, agora vai vir chumbo grosso.
-Cris! – Mai o repreendeu.
Mas ele a ignorou e prosseguiu, dessa vez olhando para Kurama:
-Mataram uma pessoa que era muito importante pra mim, que praticamente me adotou como um filho. Se não fosse por ele, eu estaria ferrado nesse mundo. Capitão, o senhor tem noção do que é a vida de um menino de rua no Brasil? Não deve ter, não é? Pois é, isso não vem ao caso. O negócio é que mataram o cara que me salvou de ser um nada na vida, e eu não vou deixar que quem fez isso cumpra seu objetivo.
Kurama o encarava em silêncio e esse olhar era sustentado com ares de igualdade. Yusuke, Kuwabara, Koenma e Botan repararam nisso: ao contrário de Mai, Cristiano não se mostrava submisso ao capitão... Tinha respeito, mas não pura submissão.
-Io estou com ele – A voz de Alexandra chamou a atenção de todos. Ela deu um passo à frente – Mio irmão Marco era uma ótima pessoa, non merecia morrer daquele jeito. E io vou lutar, por ele.
Mark também deu um passo à frente e encarou Suuichi:
-Jennifer era só uma menina, não perdôo o que fizeram com ela. E é por isso que vou lutar.
Kurama olhava para os rostos determinados daqueles três jovens, sem dizer uma única palavra. Pela sua expressão neutra, ninguém poderia saber ao certo o que se passava por sua mente. Já Yusuke, sorriu, admirado com aquelas palavras, que, para ele, eram dignas de guerreiros de verdade... No fim das contas, sua primeira impressão tinha sido totalmente errônea: não se tratava meramente de uma equipe ‘arranjada’, aqueles agentes realmente tinham garra, tinham ideais, não eram meros fantoches do Reikai. No entanto, ele deixou de sorrir quando seus olhos novamente caíram em Mai, que continuava estática, em posição de sentido, como quem apenas aguarda por alguma ordem de seu superior...
O mais estranho de tudo, era que aquele superior tratava-se de seu próprio pai.
-Beba, vai te fazer bem.
Ele aceitou e bebeu um gole. Forçou-se a beber mais, mas não conseguiu devido ao ‘nó’ que se instalava na garganta. Mai passou a mão pelo braço dele e o olhou nos olhos. Cris sentiu força naqueles olhos castanhos... A força que precisava sentir para desabafar a angústia que lhe apertava o peito:
-Ele era o cara que menos merecia ter um fim daquele. Era como um pai pra mim... Pai... Humpf, nem conheci o meu, nem sei se está vivo ou morto. Andréa era uma alheia, tanto que, quando morreu, não me fez a menor falta... Ela não gostava de mim e eu menos dela. ...Acha um absurdo ouvir alguém falar assim da própria mãe?
-Não. – Respondeu Mai, de imediato – Ninguém é obrigado a amar outra pessoa por um mero parentesco. Se ela não foi uma boa mãe, não tem porque se sentir culpado por não amá-la.
-Mas ele era diferente... O cara não era nada meu, mas me levou pra casa, cuidou de mim como um pai de verdade. Ele era mais do que um mero professor... Era toda a minha família. Morreu nas mãos de um monstro infeliz... Por causa de uma maldita pedra? Isso não é justo, Mai!
Ele abaixou a cabeça e respirou fundo, controlando-se bravamente para não começar a chorar diante da namorada. Mai suspirou, tomando fôlego para dizer alguma coisa, mas viu-se cortada pela voz chorosa de Alex:
-Mio irmão também era a única família que io tinha.
Cristiano e Mai a olharam. Ela ainda estava abraçada a Mark e tentava controlar os próprios soluços. Assim que conseguiu, continuou:
-Ele era pouco mais velho que o Mark, tinha vinte e dois anos. Desde que a mama morreu, ele passou a cuidar de mim. – Ela afastou-se um pouco do amigo americano e começou a fitá-lo – Tinha os olhos como os do Mark, azuis... Até o nome era parecido... “Marco”... Ele dizia que a gente ia ficar bem, porque tínhamos um ao outro... Mas, agora que ele não tá mais aqui, io me sinto... Tão sozinha...
O choro dela tornou a se intensificar e Mark a puxou pra junto de si, abraçando-a novamente. Ele sorriu de leve, enquanto algumas lágrimas também começavam a rolar pelo seu rosto.
-Jennifer também era parecida com você, sabia? – disse ele – Eu também cuidava dela, do mesmo jeito que o Marco cuidava de você... E ela também era a minha única família.
-Parem de dizer isso. – Pediu Mai, chamando a atenção de todos para si – Sei que sentem falta dessas pessoas, mas não podem achar que estão sozinhos agora... Nunca estaremos sozinhos enquanto tivermos uns aos outros. Somos uma família agora.
E eles sabiam que ela tinha razão. Com certeza estariam sozinhos se Suuichi Minamino não os tivesse levado para a equipe... Ali, os quatro tinham uns aos outros. Cris sorriu e se aproximou, passando um dos braços pelos ombros de Mai. Mark e Alex se afastaram, cada um tratando de enxugar as próprias lágrimas. A italiana, então, tratou de quebrar aquele clima pesado:
-Quando vocês dois se casarem, poderiam me adotar, não é?
Os três riram. Cris, então, brincou:
-Mas aí teremos que adotar o Mark também.
-Engraçadinho... – Resmungou o americano, desfazendo o sorriso como quem não gosta muito da brincadeira.
Porém, quando Mai, Cris e Alex riram novamente, ele deu-se por vencido e riu junto.
-Eia! – Gritou Alexandra, empolgada, levantando-se da cadeira num pulo – Precisamos voltar pro salão, vamos começar o treinamento pesado pra poder acabar com aqueles monstrengos feios do Makai! Ò.ó
-É isso aí! – concordou Mark, também se levantando.
Mai fez que sim e ia virar-se para sair da cozinha, mas Cristiano a segurou pelo braço.
-Vão vocês dois na frente – disse ele aos loiros – minha gata e eu já vamos.
-Hummmm... Vão namorar, né?! ^-^
-Cala a boca e vai logo, pirralha ¬¬’
-Tá, tá... Io já vou... u.u’ Que estresse, Madonna mia ¬¬’
Os dois saíram, deixando o casal de namorados sozinho na cozinha. Cris, então, segurou a mão de Mai junto às suas e, olhando-a nos olhos, perguntou, preocupado:
-E você, como está?
Para a surpresa dele, aquele rosto que não havia derramado uma única lágrima, mesmo diante da pergunta sorriu docemente.
-Estou bem.
-Não pode estar bem, Mai.
-Estou, Cris. Agora sei que o alvo não era eu... Minha mãe não morreu por minha culpa. Acho que minha consciência está mais leve agora.
-E isso faz você se sentir melhor?
-... Acho que sim. – Ela começou a puxá-lo – Vem, vamos antes que o capitão mande nos chamar.
Ele deixou-se ser guiado por ela, rumo ao salão. No entanto, ainda não aceitava que Mai pudesse estar encarando aquilo tudo com tanta naturalidade.
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Minutos antes, no salão...
-Não é possível que ela seja a Mai!!! O.O – Assombrou-se Yusuke.
Kuwabara não entendia o motivo de tanto alarde. Também ficou surpreso em saber que uma das integrantes da equipe era filha do amigo, mas achava que Yusuke estava exagerando um pouco no assombro.
-As crianças crescem, Urameshi. u.u’
-Não se trata disso, pastel ¬¬’ Eu lembro bem dessa menina, era assustada, frágil... E ficou ainda mais depois que... Bem, depois que ficou órfã u.u... Kurama, como pôde colocar sua filha nessa equipe? ¬¬’
O ruivo nada respondeu, mas Kuwabara, tomando as dores, fez isso por ele:
-Qual o problema nisso? ¬¬’ Também sonho em ver meu garoto lutando bravamente! *.*
-Seu filho, é diferente ¬¬’ Talvez eu colocasse meus filhos nisso também, mas é diferente u.u’ Você não conheceu a pequena Mai como eu conheci, ela é indefesa demais pra isso!
Koenma, então, resolveu entrar na conversa:
-Ela não é mais uma criança, Yusuke. Aliás, já assisti a alguns vídeos de treinamentos deles e pude ver que de indefesa ela não tem nada.
-Mai não deve ter mudado tanto assim ¬¬’ – Retrucou o ex-detetive. Tornou a olhar para Kurama – Se fez isso com a Mai, o que fez com o seu filho? Não o vi por aqui.
-Yusuke... – Disse Kurama, calmamente – Temos problemas mais sérios pra resolver. Acho que minha vida familiar realmente não vem ao caso.
-É claro que vem ¬¬ Kurama, você é o cara que teria a família perfeita, eu sempre tive essa certeza. Era pra ter uma filha médica e um filho advogado, ou vice versa. Eu teria os filhos rebeldes sem causa, e o Kuwabara teria o filho boiola.
-Ei! ¬¬’
-Qual é, Kuwabara? Era a minha visão fatídica de futuro u.u
Kurama abriu a boca para dizer algo, mas Botan (que até então estava ausente da conversa, fuçando os controles de simulação de treinos), o interrompeu:
-Eles voltaram! ^-^
Todos olharam para a direção em que ela apontava, avistando o casal de loiros chegando ao local. Mai e Cristiano vinham logo atrás. Alex passou direto, seguindo em direção à sala de informática. Os outros três pararam, formando uma pequena linha diante do capitão.
Kurama seguiu a italiana com os olhos, já sabendo pra onde ela estava indo.
*****
Ele ainda mantinha os olhos fixos naquela pedra, enquanto passava delicadamente os dedos por ela, como se, dessa forma, ainda conseguisse sentir a energia da pessoa a quem ela pertencera. Em seus olhos, nenhuma tristeza, apenas ódio... Talvez, algum dia, poderia sentir essa tristeza... Mas apenas teria paz para isso no dia em que vingasse a morte daquela pessoa.
Estava sentado em sua cadeira, diante de seus computadores, de costas para a porta. Mesmo assim, sentiu quando esta foi aberta e já até imaginava quem poderia estar ali... Aquela menina não tinha jeito, pensou.
-O que você quer? – Perguntou ele, antes que ela dissesse qualquer coisa.
Alex levou um certo susto diante da pergunta... Apesar de sempre ser tratada com frieza por aquele rapaz, dessa vez havia algo de agressividade em sua voz... E isso a amedrontou, num primeiro momento. Porém, respirou fundo e disse o motivo de sua ida até ali:
-É que... O capitão aguarda una risposta.
-Não compreendo seu dialeto. – Retrucou ele, ainda sem sequer olhá-la.
Alex sentiu-se constrangida com o comentário, e repetiu o que havia dito, pausadamente para não se embolar com as pronúncias:
-O capitão aguarda... Uma resposta.
-Então, diga a ele que não posso perder tempo com reuniões, ele já disse o que tinha pra dizer. O tempo está correndo, ainda tenho que normalizar o sistema, senão não será possível detectar futuros ataques.
-Sí. – Ela fez menção de que iria embora, mas voltou-se novamente para Chun - Io... Preciso perguntar algo. Esta pedra, de quem era?
Uma breve pausa antecedeu a resposta do chinês:
-Não é da sua conta.
Mas a italiana não se intimidou com isso:
-Irmãos? Pais? Avós? Algum amico?
-Já disse que não é da sua conta.
Ela percebeu que de nada adiantaria insistir. Entretanto, queria compartilhar com ele toda a paz que havia adquirido na conversa que teve com os amigos na cozinha, minutos antes... Não achava justo que Chun não fosse incluído naquilo:
-Una das quatro pedras era de mio irmão Marco. Io o amava muito, você também devia amar muito essa pessoa, né? Mas non precisamos sofrer tanto por causa disso, perché non estamos sozinhos... Nós cinco temos um ao outro, somos una família agora.
-...Bertolli?
-Sí! – Os olhos verdes brilharam de expectativa e esperança, para, em seguida, mergulharem em decepção diante da resposta:
-Não preciso de família, preciso apenas de paz para tentar normalizar o sistema. Então, se não se importa, dá pra me deixar sozinho?
Ela abaixou a cabeça e, tristemente, saiu da sala. Chun continuou a fitar a pedra em suas mãos.
*****
Mai, Cristiano e Mark. Nesta ordem, eles estavam, lado a lado, formando uma linha diante do capitão Minamino, que, em silêncio, aguardava pelo retorno de Alexandra e Chun. Kuwabara, Koenma e Yusuke estavam um pouco afastados, apenas observando e fazendo suas análises pessoais de cada um dos agentes. Em nada aqueles jovens lembravam a antiga equipe formada por eles... Pareciam uma coisa construída, meros seguidores de ordens, sem opiniões próprias.
Deixaram suas análises de lado quando a caçula do grupo retornou ao local, correndo afobada, e se uniu aos demais, em sua já ensaiada posição.
-O agente Yin está ocupado, cuidando da normalização do sistema. – Disse ela, um pouco ofegante.
Kurama fez que sim e perguntou:
-E então, o que decidem?
Mai deu um passo à frente e, com a formalidade de uma subordinada, declarou:
-Decidimos lutar, capitão.
-Podem pensar melhor sobre isso. Não será mais como antes, agora os riscos são maiores. Até hoje só enfrentaram youkais de classes D e C... Precisarão de um severo treinamento para se prepararem para os monstros que estão por vir.
-Sabemos disso, capitão – Respondeu a ruiva – estamos dispostos a correr esses riscos. É a nossa missão.
-Parou tudo! u.u – Yusuke se meteu na conversa, fazendo sinal de “tempo” com as mãos – Estão dispostos a entrarem de cabeça numa guerra, apenas por “obrigação”?
Mai ia dizer que sim, mas, antes que sequer abrisse a boca para isso, Cristiano deu um passo à frente, parando ao seu lado.
-Na verdade, - Disse ele – não é por pura obrigação... Justiça, vingança, chame como quiser, mas a verdade é que pisaram no nosso calo, agora vai vir chumbo grosso.
-Cris! – Mai o repreendeu.
Mas ele a ignorou e prosseguiu, dessa vez olhando para Kurama:
-Mataram uma pessoa que era muito importante pra mim, que praticamente me adotou como um filho. Se não fosse por ele, eu estaria ferrado nesse mundo. Capitão, o senhor tem noção do que é a vida de um menino de rua no Brasil? Não deve ter, não é? Pois é, isso não vem ao caso. O negócio é que mataram o cara que me salvou de ser um nada na vida, e eu não vou deixar que quem fez isso cumpra seu objetivo.
Kurama o encarava em silêncio e esse olhar era sustentado com ares de igualdade. Yusuke, Kuwabara, Koenma e Botan repararam nisso: ao contrário de Mai, Cristiano não se mostrava submisso ao capitão... Tinha respeito, mas não pura submissão.
-Io estou com ele – A voz de Alexandra chamou a atenção de todos. Ela deu um passo à frente – Mio irmão Marco era uma ótima pessoa, non merecia morrer daquele jeito. E io vou lutar, por ele.
Mark também deu um passo à frente e encarou Suuichi:
-Jennifer era só uma menina, não perdôo o que fizeram com ela. E é por isso que vou lutar.
Kurama olhava para os rostos determinados daqueles três jovens, sem dizer uma única palavra. Pela sua expressão neutra, ninguém poderia saber ao certo o que se passava por sua mente. Já Yusuke, sorriu, admirado com aquelas palavras, que, para ele, eram dignas de guerreiros de verdade... No fim das contas, sua primeira impressão tinha sido totalmente errônea: não se tratava meramente de uma equipe ‘arranjada’, aqueles agentes realmente tinham garra, tinham ideais, não eram meros fantoches do Reikai. No entanto, ele deixou de sorrir quando seus olhos novamente caíram em Mai, que continuava estática, em posição de sentido, como quem apenas aguarda por alguma ordem de seu superior...
O mais estranho de tudo, era que aquele superior tratava-se de seu próprio pai.
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1 Comments:
At 4:12 PM,
Karina said…
Nhááááá!! Posta o próximo!!!!!!!
Kurama, pq ele tah agindo assim?? E cadê o filho dele?
Kenichi: Deve tah bebendo por ae e largando o filho pra se virar sozinho ¬¬...
Er...A Fic eh outra moleque ¬¬
Ken: Mas o avô sem vergonha eh o mesmo u.u
^^''
rsrsrsrs
Bjossss
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