Yu Yu Hakusho

Sunday, June 25, 2006

...:::Capítulo três - A estranha relação de Kurama e Mai:::...
-Não, vai ter luta épica não... Eu não vou lutar, já disse, tô aqui só pra dar uma força no treinamento dos moleques... Keiko, já disse que não vou lutar, mulher! Se liga ¬¬’
Eram onze e meia da noite. Na base, todos já haviam se recolhido aos seus quartos, apenas o novo hóspede, Yusuke, estava de pé, na cozinha, andando de um lado para o outro enquanto falava ao telefone com a esposa.
-Só um minuto, Yusuke – Disse Keiko, do outro lado da linha – A Aeka tá chorando... Minha filha, o que foi?
-O que foi... ¬¬’ – Resmungou Yusuke – Como se não soubesse, a praga do Yuuki bateu nela ¬¬”
A comprovação veio, quando foi ouvida uma voz chorosa ao longe:
-Mamãe, o Yuuki bateu em mim!
-...E ela ainda perde tempo perguntando ¬¬” Keiko, esquece isso e escuta!
-Esquecer? ¬¬” Yusuke, seus filhos estão me levando à loucura!
-Agora são só meus, né?! ¬¬’ ...Presta atenção: o Kuwabara voltou pra Tóquio. Ele quer treinar o filho sozinho, mas disse que, pra isso, amanhã mesmo a Yukina vai aí pro templo, ficar com você e com as crianças. Vão ficar seguras aí, a velha Genkai escolheu o canto mais seguro do mundo pra construir esse templo, num tem errada.
-Mas vê se não vai se meter em lutas, tá bom?
-Aff, já disse que não, mulher! ¬¬ Mas deixa eu desligar, preciso tentar dormir um pouco porque o dia de treinamento aqui começa ainda de madrugada. u.u
-... Cuide-se, tá?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos e esboçou um leve sorriso, dizendo com a voz mais calma:
-Pode deixar. Você também... Cuida bem das crianças.
-...Tá.
Ele desligou a ligação e sentou-se numa cadeira, pensativo. Sentiu um leve e incomum aperto no peito... Desde que se casara com Keiko, aquela era a primeira vez que se via obrigado a se afastar dela e das crianças... Dos gêmeos que tanta dor de cabeça lhe davam, mas que eram a maior razão de sua vida.
-Ossos do ofício... – Ele suspirou e, largando o telefone em cima da mesa, se levantou.
Saiu da cozinha e seguiu por um extenso corredor. Ao final dele, deparou-se com uma porta. Lembrou-se que, para abri-la, precisava usar o cartão magnético que Kurama havia lhe providenciado.
-Quanta segurança ¬¬’ – Resmungou, pegando o cartão e passando em uma maquininha. Num pequeno visor, surgiu sua foto e seu nome, instantes depois a porta se abriu.
Visualizando o salão, Yusuke percebeu que não era o único que estava de pé. De costas para ele, mexendo nos botões do painel de comando, estava Mai. Usava uma calça e uma blusa de mangas compridas, de um tecido que se moldava ao corpo, e um par de tênis da mesma cor das roupas (cinza). Reparou que, num canto oposto ao que ela estava, havia uma pistola no chão.
De repente, as luzes se apagaram. O teto e as paredes desapareceram, transformando o salão num campo aberto. Nisso, quatro youkais-lobos surgiram atrás de Mai.
-Cuidad... – Yusuke não teve tempo de terminar de gritar. Viu-se calado, de surpresa com o que aconteceu a seguir.
Mai saltou para trás, dando duas “estrelas”. Em seguida, abaixou-se no chão e passou uma rasteira, derrubando, de uma vez só, dois youkais. Virou-se para correr em direção à arma, mas viu seu caminho bloqueado pelos outros dois monstros, os quais socou no meio do rosto. Mais um soco em cada foi o suficiente para derrubá-los e ganhar tempo. Tornou a correr e praticamente se jogou no chão para pegar a pistola. Os youkais se levantaram e foram em sua direção, mas não chegaram a alcançá-la, pois foram atingidos com tiros certeiros.
Quando o último deles caiu no chão, as luzes se acenderam, os monstros desapareceram e o ambiente voltou a ser o que era antes. Parecendo um pouco cansada, Mai largou a arma e apoiou as costas à parede, fechando os olhos. Segundos depois, tornou a abri-los subitamente, pegando novamente a arma e a apontando para frente. Sua surpresa foi grande ao ver que se tratava de Yusuke Urameshi.
-Calma aê, garota! – Disse ele, rindo. Estava surpreso pela percepção da ruiva, algo admirável para quem não possui a energia espiritual desenvolvida. – Não precisa me matar, não sou tão feio assim.
-...Desculpe! – Pediu ela, um pouco sem graça.
Ela abaixou a arma e ele sentou-se no chão, ao lado dela.
-Tudo bem. Costuma treinar sozinha durante a noite?
-Não, mas estava sem sono. Desculpe se te acordei, Urameshi-san.
Ele franziu a testa e pediu:
-Me chame de Yusuke... Ou até de “tio” como me chamava quando criança... Mas você não deve se lembrar disso, não é?!
-Sim, eu lembro.
-Foi fantástico... O seu treinamento.
-Ah, aquilo? ...Não foi nada, treinei com simulação de monstros de categoria “D”, terei que fazer melhor do que isso lá fora.
-Pra quem não possui habilidades espirituais, foi fabuloso.
-Obrigada.
-Me diz, Mai, e o seu irmão? Não o vi por aqui.
-Está em Okinawa.
-Sério? O.o Férias?
-Não, está morando lá... Já há cinco anos.
-Cinco anos? Então era menor de idade quando foi pra lá... E seu pai deixou de boa?
-Eles... Não se dão muito bem.
-Desde quando?
-Desde que a mamãe morreu.
-E vocês dois?
-...Tem muito tempo que não o vejo.
-Falo de você com o seu pai. Não ficou chateada pelo que descobriu hoje?
-Não, por que ficaria?
-Bem... Porque ele te escondeu... Você sabe...
-O motivo da morte da minha mãe? Se ele fez isso, foi porque julgou ser o certo. Não cabe a mim julgá-lo. Sou apenas uma agente.
Yusuke se surpreendeu com aquilo. Parecia que pai e filha, realmente, faziam toda uma questão de manterem um relacionamento cem por cento profissional.
-Mai, antes de ser seu capitão, ele é seu pai.
Ela esboçou um sorriso triste e desviou os olhos para a frente, fitando o nada.
-Não é bem assim que funciona.
Nesse momento, então, Yusuke percebeu que a coisa não era assim tão recíproca. Enquanto Kurama parecia ver a filha meramente como uma agente, Mai não encarava isso como de todo normal. Nutria uma tristeza por isso, mas não revolta... O respeito e a submissão pelo pai eram tantos que ela tentava compreender e justificar porque ele fazia isso... Embora não houvesse justificativas.
Ela tornou a olhá-lo, ainda sorrindo.
-E como está a tia Keiko?
-... Bem. Ficou em Tóquio, com os meninos.
-Tiveram filhos?
-Sim, um casal de gêmeos. Aeka e Yuuki, têm seis anos.
-Parabéns, fico feliz por vocês.
-Valeu. São duas pestes, mas, sabe como é, né?! São as MINHAS pestes ^^” ...Sabe, eu lembro de quando vocês moravam em Tóquio, e Keiko e eu íamos visitá-los. Eu ficava olhando o Kurama com você e com seu irmão, ele me parecia tão feliz... Confesso que sentia uma certa inveja.
Ela sorriu novamente.
-É, mas agora têm os filhos de vocês. Deve se sentir feliz também.
Yusuke ficou sério, e calou-se por um breve instante. Talvez aquilo não fosse de sua conta, mas não podia se calar diante de tal situação. Queria, ao menos, compreender o que afastara tanto Kurama de seus filhos.
-Mai, o que aconteceu entre vocês e seu pai?
-...Entre eu e o capitão? – Ela parece confusa, como se não entendendo a pergunta.
-Vocês eram tão apegados um ao outro, ele te tratava como uma princesinha, era o cara mais coruja desse mundo com os filhos, principalmente com você, que era a garotinha dele. O que afastou vocês desse jeito?
Ela não pareceu hesitar antes de responder, com a mesma calma de antes:
-Urame... Desculpe, Yusuke... Não há nada de errado entre eu e o capit... Digo, entre eu e meu pai. Só que eu não sou mais uma garotinha, agora tenho uma missão importante. Ele me trata do mesmo jeito que trata os demais, porque aqui dentro somos todos agentes. Nossa relação aqui é puramente profissional, não devemos misturar as coisas.
-E em que lugar a relação de vocês passa a ser de pai e filha?
Ela ficou muda e piscou algumas vezes. Parecia que, pela primeira vez, via-se diante de tal questionamento.
Mas não teve tempo de sequer começar a formular uma resposta. Um som, parecido com um alarme de incêndio, soou por todo o ambiente. Yusuke se assustou, confuso com o que seria aquilo. Mai levantou-se e correu até o painel de controle, começando a apertar alguns botões. Logo, num telão de frente para o painel surgiu um mapa da cidade de Nagoya.
-Droga... – Resmungou ela, parecendo um pouco aflita, enquanto mexia nos botões do painel – como é que eu mexo nisso? ...Cadê o Chun que não chega?
Como se para responder à sua pergunta, a porta de acesso ao corredor dos dormitórios se abriu. De lá vieram os demais agentes (todos de pijamas), acompanhados por Suuichi Minamino.
Chun foi até Mai e a afastou do painel, assumindo o comando da situação. Não demorou para que um ponto vermelho surgisse na tela, especificando o ponto onde um ataque estava acontecendo no momento.
Kurama se aproximou, já dando as ordens:
-Watsuki e Smith, podem dar conta do caso?
-Hai. – Responderam os dois citados.
E já iam sair para cumprir a ordem, mas Yusuke os impediu:
-Esperem um pouco aí. – E olhou para Suuichi – Kurama, vai mandar eles dois sozinhos pra enfrentar um youkai, que você nem sabe de que classe é? Aliás, nem sabe se é mesmo apenas um.
-É apenas um – Disse Chun, ainda mexendo no painel de controle – o sistema ainda apresenta defeitos, é impossível detectar a classe do youkai, mas não é da B ou superior, isso teria sido identificado.
-Mas pode ser um de classe C. – Retrucou Yusuke – o que eu acho que esses garotos não estão acostumados a enfrentar.
-Está certo. – Disse Kurama. Então, olhou para Cristiano – Lopes, vá com eles.
O rapaz fez que sim e saiu apressado do local, acompanhado por Mai e Mark.
E uma gigantesca gota escorreu em Yusuke.
-Eu tava sugerindo que EU ou VOCÊ fôssemos. ¬¬’
-Isso não é mais trabalho nosso, Yusuke. – foi a tranqüila resposta do ruivo. – Vou tomar um café, me acompanha?
Sem esperar pela resposta, Kurama seguiu para a cozinha. E mais uma gota escorreu em Yusuke.
-Eu não posso acreditar numa coisa dessas ¬¬’’
-Io também não. – Disse Alexandra, chamando a atenção de Yusuke – Perché io nunca vou para uma dessas missões? u.u
E uma terceira gota se formou na testa do ex-detetive.

*****
O trio não demorou para chegar ao local do ataque. Tratava-se de um armazém abandonado, de dois andares. Estranharam o fato de não haver, aparentemente, nada nem ninguém do local... Apenas caixotes vazios, teias de aranhas e muita sujeira.
-Será que foi alarme falso? – Perguntou Mai, enquanto adentrava o local. Não obtendo resposta, olhou para trás e deparou-se com dois desanimados rapazes. – O que deu em vocês? O.o’
Cristiano bufou, antes de responder:
-Já passa da meia-noite, estávamos no milésimo sono, mas agora estamos aqui, de pijama, procurando por youkais que não estão aqui, e você ainda pergunta o que deu na gente? u.u
Mai suspirou. Percebendo que o serviço daqueles dois não renderia muito essa noite, chegou à conclusão que o mais eficaz seria assumir sozinha o comando da missão. Assim sendo, subiu as escadas para o segundo piso do galpão, deixando os dois na “ronda” pelo primeiro andar.
-Cara, eu tava num sono tão bom. – Resmungou Cristiano, bocejando.
Mark também bocejou.
-E eu, meu! Nossa, tava sonhando que a Deusa da Morte vinha me buscar *.*
-Isso mais me parece um pesadelo u.u
-Não se a Deusa for aquela coisinha linda! *.*
-Tá falando daquela garota de cabelo azul? O.o ...É, ela é bonitinha.
-“Bonitinha”? ¬¬’ Ela é maravilhosa! *.*
-Seja como for, cê não achou ela íntima demais do capitão?
-Acho que ela é do tipo que pega intimidade rápido com todo mundo O.o
-E tu tá louco pra ser íntimo dela também, né?! XD
-Não fale com esse tom sacana ¬¬’ Botan-chan é garota pra casar! *.*
-Botan-CHAN? u.u”
-Eu marquei bobeira, devia ter pedido o telefone dela.
-Acha que guias espirituais usam celular? u.u”
-É a era da tecnologia, meu caro u.u” Mas eu acho também, que... AAAAAH.. Que isso? O.O
Mark parou de andar, olhando assustado para o chão. Cris nem parou para analisar o que era, automaticamente atirou. Depois franziu a testa, ao ver no que havia atirado.
-Meu!!! – Exclamou Mark – Você matou um rato!!! O.O
-Ih, é O.o... Ah, foi sem querer.
-“Sem querer”? ¬¬’ Você matou um bicho inocente! Ò.ó
-Mark ¬¬’... É só um rato!
-É um ser vivo! Ò.ó
-Agora é um ser morto O.o’
-Que humor negro! ¬¬’
-Qual é, Mark? Youkais também são seres vivos, e os matamos todos os dias.
-É diferente. Youkais são seres do mal! Ò.ó
-Ratos também. São roedores que trazem doenças u.u Não vai fazer falta.
-Mas você é um insensível. ¬¬
-Tu é que anda sensível demais u.u
-O amor faz isso com as pessoas *.*
-“Amor”? ¬¬’ Você viu a garota uma vez, Mark! Se liga!
-Mais do que o suficiente para saber que é ela a mulher da minha vida *.*
-Olha, Mark, na boa, eu acho que voc...
Eles pararam quando ouviram um grito vindo do andar de cima. Cris foi o primeiro a correr, subindo as escadas. Mark o seguiu.

*****
Minutos antes...
Com sua arma em mãos, Mai caminhava atenta, olhando para todas as direções. Podia sentir ali a presença de algum youkai, mas não imaginava onde ele pudesse estar. Parou de andar e pôs-se apenas a sentir a presença do inimigo. Apesar de ser uma humana normal (ou quase normal, uma vez que seu pai era um youkai), Mai tinha sua percepção espiritual razoavelmente evoluída, o que a permitia sentir “ki’s” ou “youki’s” nas proximidades.
-Direita – Tão rápido quanto o próprio pensamento, ela girou o corpo para a direita. Tudo o que viu foi um vulto, que desapareceu em menos de um segundo – Esquerda – Ela virou para o outro lado, novamente a tempo de ver a sombra sumir.
Soltou uma das mãos da arma e a levou ao bolso de trás da calça. De lá, tirou seis sementes diferentes, as quais analisou por um rápido momento, antes de escolher uma, de cor marrom. Guardou as demais e pôs-se novamente em posição de ataque. Sentiu novamente a presença, dessa vez bem próxima, atrás de si. Mas não teve tempo de virar-se. Viu-se ser agarrada por um braço a contornar-lhe o pescoço. O revólver escapou-lhe das mãos, caindo no chão. Instintivamente, ela soltou um grito, que foi ouvido pelos rapazes no andar de baixo.

*****
Enquanto isso, na base, Kurama continuava na cozinha, tomando calmamente o seu café. Chun, vendo que não seria mais útil naquela noite, voltou para seu quarto, não demorando a pegar novamente no sono. No salão, estavam apenas Alex e Yusuke. A garota estava sentada no chão, com as costas apoiadas na parede, enquanto o ex-detetive andava de um lado para outro, aflito.
-Eles não já deviam ter voltado?
Tendo em vista que já devia ser a décima vez que a pergunta era repetida, Alex bufou e respondeu secamente:
-Non ¬¬’
-Mas já tem mais de meia hora que eles saíram.
-Perché tá tão preocupado? Eles sabem se cuidar. Fica calmo, logo eles estão de volta.
Percebendo que continuar apreensivo daquele jeito não iria adiantar de nada, Yusuke respirou fundo e sentou-se ao lado de Alex. Após uma breve pausa, desabafou a razão de sua agonia:
-Kurama não devia ter feito isso. Poderia, até, ter mandado os três rapazes, mas não a Mai.
-Impossível. Watsuki-sensei sempre é escalada para as missões.
-Mas não devia ser assim. Eu, no lugar dele, não teria essa coragem. Aonde que eu mandaria minha Aeka pra enfrentar uma parada dessas? Talvez até mandasse o Yuuki, mas é diferente, o moleque é uma peste, enfrenta qualquer um u.u... Mas não a minha garotinha. Não é questão de ser machista, mas com vocês, garotas, é diferente.
-Io non entendo perché. Io é que, até hoje, nunca fui escalada pra uma missão. Acho que o capitão pensa que io sou una garotinha u.u’
Yusuke olhou com o canto dos olhos para aquela loirinha de um metro e meio ao seu lado e deixou uma gota escorrer, ironizando:
-Sério, é? Mas de onde será que ele tirou isso? ¬¬’
-Io non sei! u.u
-¬¬’ ...Fato é que ele está certo em tentar te poupar. E deveria fazer o mesmo com a Mai, ainda mais que é filha dele.
-Non se engane, Urameshi-san. Non há qualquer relação de pai e filha ali. Io já estava aqui há seis meses, quando vi na carteira de estudante dela o sobrenome Minamino, e perguntei que relação ela tinha com o capitão. Ela respondeu, mas non quis prolongar o assunto. Depois, conversando com Mark e Cris, descobri que com eles ocorreu o mesmo: descobriram o parentesco dos dois por acaso. Mas o assunto, per aqui, é evitado ao máximo. Nem o capitão, nem Watsuki-sensei sequer falam sobre isso. Ela non conversa sobre isso nem mesmo com o Cris, que é namorado dela.
-“Cris” é o “Agente Lopes”?
-Sí.
-Interessante... Mai namorar um estrangeiro.
-Qual o problema nisso? O.o
-Problema algum. É apenas... Diferente. Mas por que a chamam de “Watsuki”?
-Io non sei. É o sobrenome de solteira da mãe dela, mas o nome dela é apenas “Mai Minamino”. O “Watsuki” foi adotado apenas aqui dentro. É estranho o próprio pai chamá-la assim, mas acho que é um jeito de se manterem mais distantes aqui dentro... Non sei, deve ser isso.
-Isso é tudo estranho demais.
-Depois de um tempo, você acostuma.
Mas Yusuke estava certo de que não se acostumaria tão cedo.

*****
Ao chegarem, Mark e Cris não avistaram ninguém. Percorreram os olhos pelo ambiente, aflitos.
-MAI! – Chamou Cristiano, parecendo desesperado.
Após o grito, ouviram uma gargalhada ressoar pelo ambiente. Alguns metros à frente deles, surgiu um monstro, com corpo de estrutura humana, pele verde, que contrastava com os olhos vermelhos. Era careca, alto, e usava trajes parecidos com um kimono preto. Segurava Mai pelo pescoço. Pela largura de seu braço, logo eles perceberam que com um pouco mais de força ele quebraria facilmente o pescoço da ruiva.
-Eu quero a pedra. – Gritou o youkai.
-Vou te mostrar a pedra. – Rosnou Cris.
Apontou a arma para a cabeça do monstro, mas, antes que atirasse, este desapareceu, levando Mai consigo. Menos de um segundo depois, tornou a aparecer, a poucos centímetros de distância de onde estava antes. Começou a repetir esse procedimento, dando a Cris e Mark a impressão de ótica de haverem vários youkais, segurando várias Mais diante deles.
-Se atirar, pode atingir a Mai. – Disse Mark.
E Cristiano sabia que ele estava certo. Não poderia arriscar. Assim sendo, os dois soltaram suas armas. O youkai riu novamente e parou com a brincadeira do “some-aparece”, surgindo de vez diante deles. Cris notou que Mai, com esforço, levou uma das mãos às costas do monstro... Não sabia o que ela estava tentando fazer, mas era certo que aquilo tinha algum propósito.
-Eu quero a pedra! – Repetiu o monstro.
-Não temos pedra nenhuma. – Respondeu Mark.
O youkai parou de rir, começando a ficar nervoso:
-A pedra, me entreguem!
-Tá surdo, meu filho? ¬¬’ – Rebateu Cristiano – Nós não temos pedra nenhuma. Agora dá pra soltar a minha gata?
-Sem a pedra, sem a garota.
Dizendo isso, ele ameaçou desaparecer novamente. Porém, por qualquer motivo, não conseguiu.
-Mas o qu... – Começou ele a dizer, mas Mai o interrompeu:
-Agora, Cris!
Entendendo a deixa, o brasileiro apanhou sua arma no chão e atirou. Um tiro certeiro, na cabeça do oponente. Mai caiu ajoelhada no chão e os dois rapazes correram até ela.
-Tá tudo bem? – Perguntou Cristiano.
Ela fez que sim. Mark olhou para o cadáver do youkai, que permanecia de pé como se segurado por algo. Olhando melhor, o americano percebeu que, de fato, era o que acontecia: havia raízes prendendo o corpo ao chão.
-O que é isso? – Indagou o americano.
Mai explicou:
-Ele tinha o poder de se tele-transportar, levando consigo qualquer ser ou objeto que estivesse segurando. Apenas uma falha nesse poder: ele não podia levar consigo o que estivesse preso ao chão.
-Se ele estivesse preso ao chão, não conseguiria se tele-transportar. – concluiu Cris. – Era a única forma de conseguir vencê-lo, anulando essa habilidade dele.
-Perfeito... – Elogiou Mark. – Mas, como fez isso?
-Usei uma semente. – Explicou Mai. – Uma que achei que nunca teria utilidade, mas, enfim, teve.
-Esse sujeitinho é de classe D. – Disse Mark – Acha que essas sementes funcionariam num monstro mais forte?
-Não. – Respondeu Mai – Não tenho energia pra isso.
-De qualquer jeito – Disse Cris, abraçando de lado a namorada – minha gata salvou o dia.
-...Novidade u.u” – Resmungou Mark. – Vamos voltar pra casa. Eu ainda pretendo dormir umas horinhas, quem sabe continuar meu sonho *.*
Cris riu e fez que sim. Após pulverizarem o cadáver do monstro, saíram do local. Antes de sair, no entanto, Mai parou ao avistar um pequeno caderno jogado no chão. O pegou e seguiu os rapazes.
No caminho, Cristiano divertiu-se contando a Mai sobre a nova paixão platônica do americano, que estava tão empolgado que nem ao menos reclamou da “zoação”.

*****
Yusuke chegou a respirar aliviado quando a porta principal do salão se abriu e por ela entraram os três agentes que saíram em missão. Quase que simultaneamente, Kurama também retornou ao local, vindo da cozinha.
-Aleluia! – Exclamou Yusuke, levantando-se e se aproximando dos jovens. Alex o seguiu – Que bom que chegaram, como foi lá?
-Bem... – Mark começou a explicar – Não tinha nenhum ser humano no local, só um rato, que o Cris fez o favor de matar.
-Você matou um rato? O.o – Assombrou-se Alex.
-Começa também não, pirralha ¬¬’ – Resmungou Cristiano.
Mark prosseguiu:
-Tinha um youkaizinho de classe D, Mai deu um jeito nele.
-Não fiz o trabalho sozinha. – Comentou a mencionada.
-Ah, é, o Cris deu um tirozinho, pra fingir que ajudou u.u’
-Atirar é com ele mesmo u.u – Resmungou Alex.
-Principalmente em bichinhos indefesos – Reforçou Mark.
-Querem parar vocês dois? ¬¬’ Sei que o crédito foi todo da minha gata, ela tem idéias fantásticas!
-Posso saber que idéias? – A voz autoritária de Suuichi Minamino chamou-lhes a atenção.
Rapidamente, os três ficaram em posição de sentido, com Mai ao meio. Kurama se aproximou, parando diante dos três e olhando seriamente para a ruiva.
-Diga, que idéia teve, Watsuki?
-... Eu... – Ela abaixou a cabeça, como uma criança que fez algo proibido. – Usei uma planta.
-E o que eu já falei sobre isso?
-Era a única saída, capitão. Não foi nada premeditado.
-Se não foi premeditado, por que estava andando com sementes?
-Para o caso de alguma emergência.
-Você não tem energia para isso, não mexa com o que você não deve mexer.
-Mas, o senhor...
-Você não tem nada haver comigo, Watsuki. Entenda isso.
Ela fechou os olhos por um instante, sentindo o peso daquelas palavras. Peso esse que também pareceu ter sido sentido por todos os presentes no recinto. Abrindo novamente as pálpebras, Mai pegou as sementes que restavam no bolso da calça e as entregou ao pai, dizendo, sem perder o tom submisso de sempre:
-Sim, capitão.
Kurama deu meia-volta para sair do local. Mas, mal deu dois passos e sentiu seu braço preso por Yusuke. Olhou para o amigo, sustentando o olhar nada amigável que recebia.
-Por que tá fazendo isso, Kurama? Não importa os meios, a garota fez um bom trabalho, devia estar orgulhoso e não tratá-la desse jeito.
-Ficarei orgulhoso no dia que parar de tentar ser o que não é.
-Ela é sua filha, Kurama.
-Boa noite, Yusuke.
Com a mesma frieza de antes, Kurama puxou o braço e saiu. Yusuke o seguiu com os olhos, totalmente incrédulo. Por mais que tentasse, não conseguia compreender o que era aquela estranha relação entre Kurama e Mai. Sentiu alguém tocar-lhe o braço e olhou para ver quem era: Alex. Mark estava ao seu lado, e sugeriu:
-Melhor irmos dormir, teremos um dia puxado amanhã.
-Mas... E a Mai?
Alex apontou, e Yusuke seguiu os olhos nessa direção, vendo que a ruiva estava sendo abraçada pelo namorado.
-Talvez, com ele, ela desabafe. – Disse Alex – A gente aqui só vai atrapalhar.
Yusuke compreendeu e concordou. Deixou que os loiros fossem na frente e os seguiu, vez ou outra olhando para o casal que permanecia abraçado. Mai tinha os olhos marejados, tristes, distantes e parecia sentir-se, de fato, protegida nos braços do brasileiro. Yusuke lembrou-se do momento em que Alex contou-lhe sobre Cristiano ser o namorado de Mai, aquilo para ele foi uma surpresa, simplesmente pelo fato de, pelo pouco que conhecera do rapaz, percebera que ele era bem diferente da ruiva. Mai fazia o tipo garota certinha, calada, introspectiva. Cristiano, ao contrário, era um ex-menino de rua, impulsivo e extrovertido... A diferença de etnias apenas reforçava o quão opostos os dois eram, em todos os aspectos. Porém, quem ele era para julgar? Sua própria experiência de vida já era o bastante para confirmar que, às vezes, o cara ideal para uma garota certinha é justamente aquele que não é tão certinho assim... E, no caso de Mai, parecia não haver cara mais certo do que Cris.

*****
Deitado em sua cama, Mark ouviu a porta do quarto se abrir. Por um momento, achou que fosse Cristiano, mas logo percebeu que estava enganado ao ouvir a voz que perguntava, com seu inigualável sotaque:
-Mark, tá acordado?
-... Não u.u
-...Desculpe, amanhã io falo com te.
-Espera, Alex. – Ele sentou-se na cama, olhando para a porta que ficava bem em frente – Eu tava brincando, pode entrar. Só não acende a luz pra não acordar o Chun.
A italiana fez que sim. Enquanto entrava, olhou por um momento para o chinês que dormia na cama do canto direito do quarto... Rapidamente passou por sua mente como ele poderia ser tão alheio a tudo o que acontecia na base.
-Ele já tem preocupações demais. – Respondeu, para si mesma.
Sentou-se na ponta da cama de Mark, ao lado do americano.
-Io tava pensando... Perché o capitão é tão duro com a Watsuki-sensei? Sei que ele é assim com todo mundo, mas non deveria ser tanto com ela.
-Também acho, Alex. Mas se ela que é tratada assim parece não de incomodar...
-Non acho isso. Pelo contrário, ela ficou triste com o que ele disse.
-É, Mai não merecia ouvir aquilo. Ela foi brilhante hoje, como sempre, aliás. Ela é a que mais se dedica aos treinos e às missões, e de longe a que luta melhor... Ela barra até o Chun, e olha que o cara é bom.
-Eu tava pensando... Deve doer ser tratada desse jeito pelo próprio pai. Io non me lembro do meu, mas... Acho que ele deve ter sido um bom pai... Marco dizia que ele era o melhor.
Mark sorriu carinhosamente e passou uma das mãos pelos cabelos da garota.
-É, tenho certeza de que era mesmo. O meu também era um cara legal.
Alex retribuiu o sorriso e vagou os olhou pelo quarto, até notar um caderno na cabeceira do amigo. Curiosa, o pegou.
-Que isso?
-Ah, é, tava esquecendo. Quero que você dê uma olhada.
Ele acendeu a luz do abajur ao lado de sua cama e Alex pôde folhear o caderno. Ela ficou surpresa ao ver que se tratava de uma espécie de dicionário básico italiano – japonês.
-De onde veio isso?
-Mai encontrou lá no galpão. No caminho ela me mostrou, pedi pra que deixasse comigo, pra ver se consigo encontrar algo escrito que indique de quem possa ser. Certamente é a vítima da vez do Makai. Eu olhei, mas, não entendo nada de italiano.
-Aqui só tem traduções... E algo de gramática também O.o... Strani...
-Dá uma olhada com calma pra mim, vê se consegue alguma pista.
-Tá, vou tentar O.o Mas depois, agora preciso dormir. Boa noite, Mark.
-Boa noite.
Ela levantou-se e deu meia volta para sair. Mas parou, parecendo lembrar-se de algo importante. Nisso, voltou-se para Mark.
-Que horas são?
-Não sei, Alex. Deve ser quase duas da manhã, por quê?
-Hoje é... Aniversário de Watsuki-sensei.
Eles se entreolharam em silêncio, ambos dividindo o mesmo pensamento: aquela fora uma péssima maneira de começar um aniversário, ouvindo palavras tão duras do próprio pai.

*****
“Quem é esse cara que acabou de chegar à Cidade? O jeito dele me é bastante familiar, será que... É o TK? Takeru Minamino, filho do Kurama? ...Mas, por que ele resolveu voltar? Apenas para rever a irmã? Uma coisa é certa: pra rever o pai é que não foi, os dois não parecem se dar nada bem. Mas, espere... Agora que ele tirou os óculos... O que há com os olhos dele?”

Próximo Capítulo: “Presentes de aniversário”
NÃO CONHECI O OUTRO MUNDO POR QUERER!

Tuesday, June 06, 2006

...:::Capítulo dois - Escolhas:::...
-...Li' da sola dentro un brivido... Ma perché lui non c'è...
O sono de Mai parecia lutar contra aquilo com todas as forças que possuía, mas era totalmente impossível ignorar aquela cantoria vinda da cama ao lado. Não que fosse terrivelmente desafinada, pelo contrário, até que era uma voz boa de ouvir... Mas o tom melancólico com que as palavras em italiano eram praticamente gritadas, parecendo querer imitar um concerto ao vivo de "Laura Pausini", era impossível de ser ignorado.
-Strani amori che fanno crescere, e sorridere fra le lacrime... Quante pagine li'da scrivere, sogni e lividi da dividere...
A ruiva abriu um pouco os olhos e olhou para a cantora em questão.
Alexandra estava deitada na cama ao lado, com os fones de um CD player nos ouvidos, os olhos cerrados, num semblante de quem sente profundamente a melodia que está sendo ouvida.
-...Se è un'amori che spesso a questa etá...
-Alex? - Chamou Mai, praticamente num murmúrio. Ainda não havia despertado por completo.
-...Si confondono dentro a quest'anima...
-u.u...Alex? - Repetiu Mai, esfregando os olhos com as mãos.
-...Che sí interroga senza decidire, se è un'amore che fa per noi...
-Alex??? u.u' - Chamou a ruiva pela terceira vez, já sentando na cama.
A italiana, entretanto, continuava a ignorá-la:
-...E quante notti perse a piangere, rileggendo quelle lettere, che non riesci piú a buttare via, la labirinto della nostalgia...
-¬¬’... Bertolli!
Parecendo assustada, Alexandra abriu os olhos, retirou os fones do ouvido e ajoelhou-se na cama, batendo continência.
-Watsuki-sensei!
Mai apenas riu. Não gostava muito daquela mania da garota de tratá-la com tanto respeito e formalidade, e tampouco de tratá-la com autoridade, mas sabia que às vezes essa era a única maneira de obter sua atenção. Esticou o braço e pegou a caixa do CD que estava na cama de Alex.
-Por que está ouvindo Laura Pausini às seis e quarenta da manhã?
-Porque mio CD da Ayumi Hamasaki está arranhado u.u
-Não tinha algo mais... Animado pra começar o dia? ^^"
-Músicas depressivas combinam mais com... La storia della vita u.u
-Olha o italiano!
-...Gomen u.u... Mas esse idioma de vocês é muito... Como é a palavra? ...Difícil!
-Sei que é difícil pra você, Alex. Também sei que está se esforçando bastante, mas será que poderia tentar se esforçar só mais um pouquinho?
-Sí.
-Alex ^^"
-Tá, tá ¬¬' ...Hai, sensei u.u'
-Pode tentar parar também com esse 'sensei'? Somos amigas.
-Hai.
-Então, melhor nos arrumarmos pra irmos pro colégio.
-Hai, sensei.
-^^"...
-Mas non quer dormir mais um pouco?
-Mais quinze minutos? Olha a hora, Alex. Já tá quase no nosso horário.
A loira olhou para o relógio digital na mesinha ao lado de sua cama e assustou-se ao ver que já eram quase sete da manhã. Estivera tão distraída ouvindo música que sequer percebeu o tempo passar.
-Madonna mia!!! O.o
-Alex u.u'
-Tá, tá... ¬¬' Buda seja louvado!
-Também não precisa mudar de religião ^^" Anda, vai tomar seu banho.
Alex pegou o uniforme e entrou no banheiro do quarto. Enquanto isso, Mai organizava seu material escolar.

*****
Quando as duas chegaram à cozinha, usando seus tradicionais uniformes escolares, surpreenderam-se com o fato de todos já estarem acordados, reunidos ao redor da mesa. Apenas Kurama estava de pé, e parecia esperar apenas pela chegada das garotas para começar a tratar de algum assunto importante.
Ele as olhou, com seu habitual jeito sério, e comunicou:
-Temos uma missão importante. Vocês duas, voltem para o quarto e tirem esse uniforme, não irão à aula hoje.
Os olhos verdes de Alex brilharam, na expectativa do que aquilo poderia significar.
-Io também?
-Sim.
Ela sorriu de orelha a orelha. Vendo aquilo, Kurama se perguntava se aquela menina tinha alguma noção de todos os riscos que estava por correr. Pensava se não seria um erro envolvê-la naquilo. Ela era uma criança... Ele sabia que os demais também começaram naquilo nessa faixa etária... Mas Alexandra era diferente. Era realmente uma criança e ele estava convencido de que sempre seria.
As duas deram meia-volta para irem ao quarto, mas ele as chamou novamente.
-Esperem. Antes preciso tratar de algo sério com vocês. Principalmente com Watsuki e Lopes.
Os dois citados o olharam, preocupados. Kurama desdobrou o jornal que estava em suas mãos e o abriu em cima da mesa. As garotas se aproximaram, juntando seus rostos aos dos três rapazes que também se inclinaram para lerem a matéria que o capitão os mostrava. Uma grande gota foi dividida pelos cinco, ao lerem a manchete:
"Eles estão entre nós"
Funcionário de supermercado garante ter sido alvo de um ataque alienígena.
-O.o...- Mark leu, em voz alta - "Primeiro foi o monstro. Depois, apareceram dois com aparência humana, que o abduziram. Eles estão em guerra e nosso planeta virou a trincheira"... O.o
-Dio Santo... O.o' - Murmurou Alex.
-Esse cara não bate bem O.o - comentou Cristiano - Então, minha gata e eu temos cara de alienígenas? ¬¬
-Isso não podia ter acontecido... - Disse Mai.
Kurama moveu a cabeça, concordando com ela, e falou, chamando novamente a atenção de todos para si:
-Já os adverti várias vezes quanto a isso. Precisam ter cuidado, não podem lutar desse jeito com pessoas por perto.
Cristiano abriu a boca para responder qualquer coisa, mas tornou a fechá-la, assustado, quando um forte som vindo do salão foi ouvido.
-Tem alguém aí... - Murmurou Mark, olhando para o corredor.
-Madonna mia!!! O.o... Já vamos começar a agir? *.*
-Ainda não. - Respondeu Kurama, tranquilamente - São apenas velhos amigos que convidei. ...Venham.
E ele seguiu pelo corredor. Chun foi o primeiro a se levantar e segui-lo, enquanto os outros quatro permaneceram na cozinha, abismados.
-Desde quando recebemos visitas aqui? O.o - Indagou Mark.
No entanto, a dúvida levantada pro Cristiano era outra:
-Desde quando o capitão tem amigos? O.o'
-Io non saberia responder... Nenhuma das perguntas O.o' - Alex olhou para Mai - ...O que acha, Watsuki-sensei?
A ruiva nada respondeu. Apenas apressou-se em seguir o pai. Os outros três fizeram o mesmo.

*****
-AAAAAAAh... Que saudade! ^_________^
-Er... Eu também... Gasp... O.o
-Achei que não veria você nunca mais, sabia? ;______;
-Eu também senti a falta de vocês, mas será que... GASP... O.o
-Depois de tanto tempo, enfim nossa turma está novamente reunida! ^______^
-É, Botan, mas... Será que poderia me soltar? u.u'
-Er... claro ^^"
Ela afastou-se de Kurama, mas continuou a sorrir. Estava radiante, afinal, fazia um bom tempo em que não se via numa sala junto a Kurama, Kuwabara e Yusuke. Com os dois últimos ela ainda manteve um certo contato durante os últimos anos, mas do ruivo não tinha notícias já há mais de uma década. Estava nostálgica, empolgada, feliz... A única coisa que a incomodava um pouco era o fato de seus amigos estarem 'diferentes'... Embora o tempo não exercesse qualquer efeito nela ou em Koenma-sama, o mesmo não parecia acontecer com os 'humanos'.
-Tem gente que não muda nunca ¬¬' - comentou Yusuke, deixando uma gota escorrer diante da empolgação da guia espiritual.
-É! ^_^ - Respondeu a mencionada - Mas o mesmo não posso dizer de vocês... Que cabelos brancos são esses? O.o'
-São só alguns fios, não amola ¬¬' ...Boa parte deles por culpa de Aeka e Yuuki, mas isso não vem ao caso u.u' - Yusuke olhou para uma das portas, deparando-se com cinco jovens - Então, são esses os seus agentes, Kurama? O.o'
Kurama fez que sim e pediu para que os cinco se aproximassem. Num primeiro momento, eles ainda permaneceram parados, tentando entender quem poderia ser aquelas pessoas... Principalmente a 'garota' que abraçara o capitão com tanta intimidade. ...Dois senhores, um rapaz e uma garota... De onde poderiam conhecer Suuichi Minamino?
Resolvendo que só entenderiam a situação se deixassem que Suuichi explicasse, Chun, Mai e Cristiano se aproximaram. Alex ia segui-los, mas parou ao perceber que Mark não movera um único músculo... Estava estático, olhando fixamente para a garota que havia abraçado o capitão.
-Er... Mark? - chamou Alexandra - Tudo bem? O.o
-O.o... Oh, god...
-O que foi, Mark? O.o' Per Dio, non me assuste.
-Aquela garota, Alex...
-O que tem? Conhece? O.o
-Não, mas... Mas ela... Mas ela é... Ela é...
-Ela é o quê? O.o
-Linda! *.*
Alexandra caiu de cara no chão. Quando se levantou, tomou fôlego para dizer qualquer coisa, mas antes que o fizessem Kurama tornou a chamá-los:
-Vocês dois também, aproximem-se.
E os dois loiros assim fizeram. Pararam um ao lado do outro, formando com os demais uma linha em frente ao capitão. Era a mesma formação de sempre. Por ordem: Mai Watsuki, Chun Yin, Cristiano Lopes, Mark Smith e Alexandra Bertolli... Essa formação não era mero acaso: seguia exatamente a ordem em que eles haviam se tornado agentes indiretos do Reikai.
-Esse é Koenma, líder do mundo espiritual - Disse Kurama, apontando para Koenma.
A surpresa foi geral. Todos já haviam ouvido falar de Koenma-sama, filho de Enma-Daioh, o verdadeiro 'chefe' do esquadrão ao qual faziam parte. Mas jamais poderiam imaginar que se tratasse de um rapaz tão aparentemente jovem.
-Essa - continuou Kurama, dessa vez apontando para a moça de cabelos azuis - é Botan, guia espiritual.
-Olá! ^-^ - apresentou-se a mencionada, empolgada - sou quem guia a travessia das almas pelo rio da morte. Também conhecida, pelos ocidentais, como Deusa da morte, muito prazer ^-^!
-Deusa você é mesmo *.*... - Murmurou Mark. Mas foi tão baixo que apenas Alex pôde ouvir. Ela o trucidou com um rápido olhar, mas ele nem ao menos pareceu perceber.
Kurama prosseguiu com as formais apresentações:
-E esses são Kazuma Kuwabara e Yusuke Urameshi. Dois velhos amigos e companheiros de batalhas.
-Kuwabara e Yusuke? - Sussurrou Mai. Olhou para os dois, forçando a mente para tentar lembrar-se deles. Recordou-se vagamente de Kuwabara, mas Yusuke ela não demorou a reconhecer. Já fazia muito tempo, mas havia coisas que a mente não conseguia apagar.
-E aí, garotos? - Cumprimentou Urameshi - Soube que andam fazendo um bom trabalho.
-Até agora, sim. - Disse Kurama - Acho relevante que saibam que nenhum dos cinco possui qualquer tipo de energia especial. Dependem unicamente de suas habilidades em lutas corporais e armas especiais que desenvolvemos aqui.
-No meu tempo não tinha essa moleza u.u' - Resmungou Yusuke - Só eu sei o que sofri nas mãos daquela velha Genkai ¬¬'
Koenma ainda permanecia um tanto incrédulo diante daquelas condições:
-E ainda assim você acha que eles darão conta, Kurama? Pense bem, não é mais uma situação de youkais menores.
-Isso são eles que decidirão, Koenma.
A curiosidade dos cinco aumentava a cada instante. Percebendo isso, Kurama começou a explicar o que acontecia:
-Ontem houve dois ataques em Tóquio. Kuwabara e Yusuke foram atacados por youkais de classe B.
Cris pareceu surpreso com aquilo:
-Disse classe B? Eu achei que apenas alguns youkais inferiores ainda insistiam em manter o hábito de devorar humanos.
-Sim, mas esses não tinham esse propósito – Explicou Koenma – Eles estavam procurando por algo e achou que talvez Yusuke ou Kuwabara, ou mesmo seus filhos, tivessem. Como acho que todos vocês devem saber, há mais de vinte anos foi realizado um torneio no Makai, para a escolha de um novo rei. O vencedor foi...
-Enki – Completou Cristiano – que instituiu o mandato de três anos e criou uma espécie de “Constituição”, onde a principal regra era “Não perturbar o Ningenkai”... Sabemos dessa historinha toda.
-Certo – Prosseguiu o Líder do Reikai – Então devem saber também que esse período de paz não durou muito. Dez anos depois de retirada, a barreira entre os mundos foi novamente erguida pelo Reikai. Mas, dessa vez, ela estava mais fraca, o que continuou a permitir que youkais de classes E, D e até uns de classe C continuassem a ter trânsito livre pelos dois mundos.
Mark, então, se pronunciou:
-E foi aí que nós entramos. Certo?
-Exato – Afirmou Koenma – Há quatro anos, Kurama iniciou essa nova equipe, com cinco jovens de diferentes lugares do mundo. Mas vocês não foram escolhidos por mero acaso. E o motivo dessa escolha está diretamente ligado ao que aconteceu ontem.
Alex ficou intrigada:
-E o que io tenho a ver com youkais de classe B? O.o’ Nunca nem vi nenhum u.u.
Koenma se aproximou, parando diante dos cinco jovens que se mantinham lado a lado, como num pequeno exército.
-Existe, dentro de cada ser humano, uma coisa chamada “energia espiritual”. Alguns a tem mais desenvolvida, outros menos. Pode-se evoluí-la com treinamentos, mas existem pessoas que já nascem com a sua num nível extraordinariamente alto. Foi descoberta, há pouco tempo, uma “nuance” diferente dessa energia. Quando ela é liberada, sofre uma espécie de “solidificação”.
Ele olhou para Kurama, como quem repassa a palavra. O ruivo, então, se aproximou, parando ao lado do líder espiritual. Pôs a mão no bolso e de lá tirou uma pedra esverdeada, medindo cerca de cinco centímetros de diâmetro, estendendo-a, na palma da mão, em direção aos cinco. Curiosa, Alexandra pegou a pedra, observando-a mais de perto.
Mai, então, indagou:
-E como essa energia se solidifica?
Foi Koenma quem respondeu:
-Quando seu possuidor morre.
-Hein? O.o Eca!!! – Alex fez cara de nojo e soltou a pedra, que caiu no chão – Io segurei a energia de um defunto! ;____;
-Se a energia de determinada quantidade dessas pedras for liberada, - Koenma prosseguiu – produzirá uma força singular... A única capaz de destruir por completo a barreira dos dois mundos.
Yusuke, que estava igualmente surpreso com a história das pedras, se aproximou, dizendo:
-Deixa ver se eu entendi... Tem alguém querendo unir essas pedrinhas para romper a barreira. E quem é o monstrão da vez?
-O atual rei do Makai – Respondeu Koenma – Um youkai de classe S, chamado Rikuo. Durante anos ele se preparou para isso, mas apenas seus subordinados de classes inferiores conseguiam vir para o Ningenkai. Conseguiram até obter algumas dessas pedras, mas ainda não sabiam como liberarem sua energia. Agora parece que, enfim, descobriram, o que foi o suficiente para abrir um “rombo” na barreira. Por isso alguns youkais de classe B já estão conseguindo passar para cá. Se continuarem assim, logo os de classes superiores também conseguirão, até que a barreira seja extinta novamente. Os tempos não são mais de paz, esses youkais não estão para brincadeiras. Durante os últimos anos, o atual rei tratou de alimentar em seu povo o ódio por humanos. Se a barreira novamente for rompida, será um caos.
Kuwabara também entrou na conversa:
-E quantas dessas pedrinhas eles já têm?
Cris foi além:
-Acho que a pergunta é: e no que isso inclui a gente? No que explica o motivo de termos sido escolhidos?
Kurama encarou o rapaz por um breve momento, antes de responder à pergunta de Kuwabara:
-Eles têm quatro. – Ele pegou a pedra que Alex deixara cair no chão e a jogou para Chun, que a agarrou – por muito pouco não têm cinco.
E, nos segundos que se sucederam, lentamente, um a um, os cinco jovens vagavam seus olhos pelo nada, procurando interpretar o que acabaram de ouvir. Mesmo que tudo parecesse óbvio, ainda relutavam em acreditar naquilo.
Alex foi a primeira e exteriorizar a conclusão a qual chegou:
-Mio irmão?
Mark a olhou, parecendo chocado com aquilo... Afinal, ele não fora o único a concluir de quem seriam essas quatro pedras.
-Minha irmã? – Murmurou ele, assustado.
-Meu professor... – Disse Cris, confuso.
-...Minha mãe. – Mai encarou o pai, que, por alguns breves instantes, sustentou esse olhar.
Chun foi o único que não disse uma única palavra. Olhou para a pedra em sua mão e um brilho de ódio passou por seus olhos.
Percebendo que aquilo havia sido um choque para os jovens agentes, Koenma pediu:
-Acho melhor darmos uma pausa, Kurama. Parece que eles precisam de um tempo para digerir o que acabaram de descobrir.
Chun nem ao menos esperou pela resposta de seu capitão, antes de sair, apressado, seguindo pelo corredor que ia para a sala de informática. Todos o seguiram com os olhos, até que o som de fortes soluços chamou-lhes a atenção. Olharam para Alexandra, que chorava incontrolavelmente nos braços de Mark. O loiro também não parecia nada bem, mas se controlava ao máximo para não desabar naquele momento. Seria forte, por Alex.
Preocupada, Mai foi até eles.
-Alex... Calma, querida. Olha, vamos pra cozinha, vou preparar um chá calmante pra você, tá bom? ...Pra você também, Mark, vamos!
O americano saiu, guiando Alex rumo à cozinha. Mai voltou até o namorado e o puxou pela mão, seguindo os loiros.
-Acho que o choque foi grande demais pra eles – Comentou Koenma.
-Eles vão ficar bem. – Disse Kurama, friamente.
Kuwabara, Yusuke e Botan não puderam deixar de se surpreenderem com aquilo. Seu amigo não era mais o mesmo, parecia que a personalidade de Kurama Youko estava cada vez mais forte que a de Suuichi Minamino, e eles conheciam bem a causa daquilo. Tudo começara há dez anos, com a morte de sua esposa Maya. Ao lembrar-se desse dia, uma imagem pareceu nítida na mente de Yusuke, algo que ele acreditava que jamais iria esquecer: uma criança solitária, calada, com um olhar vago a fitar o caixão da mãe ser enterrado. Como estaria hoje aquela menina?
-Sei não. – Disse Botan, arrancando Yusuke de suas lembranças – Eles não me pareciam nada bem. Só a garota ruiva me pareceu bem forte com a revelação.
Koenma sorriu levemente:
-Também, filha de quem é.
A guia e os dois ex-detetives piscaram sincronizadamente. Yusuke foi o que pareceu mais surpreso:
-Aquela moça é... É a Mai?
Um leve aceno de cabeça foi a resposta de Kurama;

*****
Sentada numa cadeira, Alex ainda chorava, já um pouco mais calma, sendo abraçada por Mark. Encostado à parede, próximo à porta, estava Cristiano, com os braços cruzados e o olhar distante... Tanto quanto sua mente, que recapitulava acontecimentos de quatro anos atrás. Apenas voltou a si quando uma xícara surgiu diante dos seus olhos. Aquela que lhe oferecia o chá sorriu-lhe com carinho.
-Beba, vai te fazer bem.
Ele aceitou e bebeu um gole. Forçou-se a beber mais, mas não conseguiu devido ao ‘nó’ que se instalava na garganta. Mai passou a mão pelo braço dele e o olhou nos olhos. Cris sentiu força naqueles olhos castanhos... A força que precisava sentir para desabafar a angústia que lhe apertava o peito:
-Ele era o cara que menos merecia ter um fim daquele. Era como um pai pra mim... Pai... Humpf, nem conheci o meu, nem sei se está vivo ou morto. Andréa era uma alheia, tanto que, quando morreu, não me fez a menor falta... Ela não gostava de mim e eu menos dela. ...Acha um absurdo ouvir alguém falar assim da própria mãe?
-Não. – Respondeu Mai, de imediato – Ninguém é obrigado a amar outra pessoa por um mero parentesco. Se ela não foi uma boa mãe, não tem porque se sentir culpado por não amá-la.
-Mas ele era diferente... O cara não era nada meu, mas me levou pra casa, cuidou de mim como um pai de verdade. Ele era mais do que um mero professor... Era toda a minha família. Morreu nas mãos de um monstro infeliz... Por causa de uma maldita pedra? Isso não é justo, Mai!
Ele abaixou a cabeça e respirou fundo, controlando-se bravamente para não começar a chorar diante da namorada. Mai suspirou, tomando fôlego para dizer alguma coisa, mas viu-se cortada pela voz chorosa de Alex:
-Mio irmão também era a única família que io tinha.
Cristiano e Mai a olharam. Ela ainda estava abraçada a Mark e tentava controlar os próprios soluços. Assim que conseguiu, continuou:
-Ele era pouco mais velho que o Mark, tinha vinte e dois anos. Desde que a mama morreu, ele passou a cuidar de mim. – Ela afastou-se um pouco do amigo americano e começou a fitá-lo – Tinha os olhos como os do Mark, azuis... Até o nome era parecido... “Marco”... Ele dizia que a gente ia ficar bem, porque tínhamos um ao outro... Mas, agora que ele não tá mais aqui, io me sinto... Tão sozinha...
O choro dela tornou a se intensificar e Mark a puxou pra junto de si, abraçando-a novamente. Ele sorriu de leve, enquanto algumas lágrimas também começavam a rolar pelo seu rosto.
-Jennifer também era parecida com você, sabia? – disse ele – Eu também cuidava dela, do mesmo jeito que o Marco cuidava de você... E ela também era a minha única família.
-Parem de dizer isso. – Pediu Mai, chamando a atenção de todos para si – Sei que sentem falta dessas pessoas, mas não podem achar que estão sozinhos agora... Nunca estaremos sozinhos enquanto tivermos uns aos outros. Somos uma família agora.
E eles sabiam que ela tinha razão. Com certeza estariam sozinhos se Suuichi Minamino não os tivesse levado para a equipe... Ali, os quatro tinham uns aos outros. Cris sorriu e se aproximou, passando um dos braços pelos ombros de Mai. Mark e Alex se afastaram, cada um tratando de enxugar as próprias lágrimas. A italiana, então, tratou de quebrar aquele clima pesado:
-Quando vocês dois se casarem, poderiam me adotar, não é?
Os três riram. Cris, então, brincou:
-Mas aí teremos que adotar o Mark também.
-Engraçadinho... – Resmungou o americano, desfazendo o sorriso como quem não gosta muito da brincadeira.
Porém, quando Mai, Cris e Alex riram novamente, ele deu-se por vencido e riu junto.
-Eia! – Gritou Alexandra, empolgada, levantando-se da cadeira num pulo – Precisamos voltar pro salão, vamos começar o treinamento pesado pra poder acabar com aqueles monstrengos feios do Makai! Ò.ó
-É isso aí! – concordou Mark, também se levantando.
Mai fez que sim e ia virar-se para sair da cozinha, mas Cristiano a segurou pelo braço.
-Vão vocês dois na frente – disse ele aos loiros – minha gata e eu já vamos.
-Hummmm... Vão namorar, né?! ^-^
-Cala a boca e vai logo, pirralha ¬¬’
-Tá, tá... Io já vou... u.u’ Que estresse, Madonna mia ¬¬’
Os dois saíram, deixando o casal de namorados sozinho na cozinha. Cris, então, segurou a mão de Mai junto às suas e, olhando-a nos olhos, perguntou, preocupado:
-E você, como está?
Para a surpresa dele, aquele rosto que não havia derramado uma única lágrima, mesmo diante da pergunta sorriu docemente.
-Estou bem.
-Não pode estar bem, Mai.
-Estou, Cris. Agora sei que o alvo não era eu... Minha mãe não morreu por minha culpa. Acho que minha consciência está mais leve agora.
-E isso faz você se sentir melhor?
-... Acho que sim. – Ela começou a puxá-lo – Vem, vamos antes que o capitão mande nos chamar.
Ele deixou-se ser guiado por ela, rumo ao salão. No entanto, ainda não aceitava que Mai pudesse estar encarando aquilo tudo com tanta naturalidade.

*****
Minutos antes, no salão...
-Não é possível que ela seja a Mai!!! O.O – Assombrou-se Yusuke.
Kuwabara não entendia o motivo de tanto alarde. Também ficou surpreso em saber que uma das integrantes da equipe era filha do amigo, mas achava que Yusuke estava exagerando um pouco no assombro.
-As crianças crescem, Urameshi. u.u’
-Não se trata disso, pastel ¬¬’ Eu lembro bem dessa menina, era assustada, frágil... E ficou ainda mais depois que... Bem, depois que ficou órfã u.u... Kurama, como pôde colocar sua filha nessa equipe? ¬¬’
O ruivo nada respondeu, mas Kuwabara, tomando as dores, fez isso por ele:
-Qual o problema nisso? ¬¬’ Também sonho em ver meu garoto lutando bravamente! *.*
-Seu filho, é diferente ¬¬’ Talvez eu colocasse meus filhos nisso também, mas é diferente u.u’ Você não conheceu a pequena Mai como eu conheci, ela é indefesa demais pra isso!
Koenma, então, resolveu entrar na conversa:
-Ela não é mais uma criança, Yusuke. Aliás, já assisti a alguns vídeos de treinamentos deles e pude ver que de indefesa ela não tem nada.
-Mai não deve ter mudado tanto assim ¬¬’ – Retrucou o ex-detetive. Tornou a olhar para Kurama – Se fez isso com a Mai, o que fez com o seu filho? Não o vi por aqui.
-Yusuke... – Disse Kurama, calmamente – Temos problemas mais sérios pra resolver. Acho que minha vida familiar realmente não vem ao caso.
-É claro que vem ¬¬ Kurama, você é o cara que teria a família perfeita, eu sempre tive essa certeza. Era pra ter uma filha médica e um filho advogado, ou vice versa. Eu teria os filhos rebeldes sem causa, e o Kuwabara teria o filho boiola.
-Ei! ¬¬’
-Qual é, Kuwabara? Era a minha visão fatídica de futuro u.u
Kurama abriu a boca para dizer algo, mas Botan (que até então estava ausente da conversa, fuçando os controles de simulação de treinos), o interrompeu:
-Eles voltaram! ^-^
Todos olharam para a direção em que ela apontava, avistando o casal de loiros chegando ao local. Mai e Cristiano vinham logo atrás. Alex passou direto, seguindo em direção à sala de informática. Os outros três pararam, formando uma pequena linha diante do capitão.
Kurama seguiu a italiana com os olhos, já sabendo pra onde ela estava indo.

*****
Ele ainda mantinha os olhos fixos naquela pedra, enquanto passava delicadamente os dedos por ela, como se, dessa forma, ainda conseguisse sentir a energia da pessoa a quem ela pertencera. Em seus olhos, nenhuma tristeza, apenas ódio... Talvez, algum dia, poderia sentir essa tristeza... Mas apenas teria paz para isso no dia em que vingasse a morte daquela pessoa.
Estava sentado em sua cadeira, diante de seus computadores, de costas para a porta. Mesmo assim, sentiu quando esta foi aberta e já até imaginava quem poderia estar ali... Aquela menina não tinha jeito, pensou.
-O que você quer? – Perguntou ele, antes que ela dissesse qualquer coisa.
Alex levou um certo susto diante da pergunta... Apesar de sempre ser tratada com frieza por aquele rapaz, dessa vez havia algo de agressividade em sua voz... E isso a amedrontou, num primeiro momento. Porém, respirou fundo e disse o motivo de sua ida até ali:
-É que... O capitão aguarda una risposta.
-Não compreendo seu dialeto. – Retrucou ele, ainda sem sequer olhá-la.
Alex sentiu-se constrangida com o comentário, e repetiu o que havia dito, pausadamente para não se embolar com as pronúncias:
-O capitão aguarda... Uma resposta.
-Então, diga a ele que não posso perder tempo com reuniões, ele já disse o que tinha pra dizer. O tempo está correndo, ainda tenho que normalizar o sistema, senão não será possível detectar futuros ataques.
-Sí. – Ela fez menção de que iria embora, mas voltou-se novamente para Chun - Io... Preciso perguntar algo. Esta pedra, de quem era?
Uma breve pausa antecedeu a resposta do chinês:
-Não é da sua conta.
Mas a italiana não se intimidou com isso:
-Irmãos? Pais? Avós? Algum amico?
-Já disse que não é da sua conta.
Ela percebeu que de nada adiantaria insistir. Entretanto, queria compartilhar com ele toda a paz que havia adquirido na conversa que teve com os amigos na cozinha, minutos antes... Não achava justo que Chun não fosse incluído naquilo:
-Una das quatro pedras era de mio irmão Marco. Io o amava muito, você também devia amar muito essa pessoa, né? Mas non precisamos sofrer tanto por causa disso, perché non estamos sozinhos... Nós cinco temos um ao outro, somos una família agora.
-...Bertolli?
-Sí! – Os olhos verdes brilharam de expectativa e esperança, para, em seguida, mergulharem em decepção diante da resposta:
-Não preciso de família, preciso apenas de paz para tentar normalizar o sistema. Então, se não se importa, dá pra me deixar sozinho?
Ela abaixou a cabeça e, tristemente, saiu da sala. Chun continuou a fitar a pedra em suas mãos.

*****
Mai, Cristiano e Mark. Nesta ordem, eles estavam, lado a lado, formando uma linha diante do capitão Minamino, que, em silêncio, aguardava pelo retorno de Alexandra e Chun. Kuwabara, Koenma e Yusuke estavam um pouco afastados, apenas observando e fazendo suas análises pessoais de cada um dos agentes. Em nada aqueles jovens lembravam a antiga equipe formada por eles... Pareciam uma coisa construída, meros seguidores de ordens, sem opiniões próprias.
Deixaram suas análises de lado quando a caçula do grupo retornou ao local, correndo afobada, e se uniu aos demais, em sua já ensaiada posição.
-O agente Yin está ocupado, cuidando da normalização do sistema. – Disse ela, um pouco ofegante.
Kurama fez que sim e perguntou:
-E então, o que decidem?
Mai deu um passo à frente e, com a formalidade de uma subordinada, declarou:
-Decidimos lutar, capitão.
-Podem pensar melhor sobre isso. Não será mais como antes, agora os riscos são maiores. Até hoje só enfrentaram youkais de classes D e C... Precisarão de um severo treinamento para se prepararem para os monstros que estão por vir.
-Sabemos disso, capitão – Respondeu a ruiva – estamos dispostos a correr esses riscos. É a nossa missão.
-Parou tudo! u.u – Yusuke se meteu na conversa, fazendo sinal de “tempo” com as mãos – Estão dispostos a entrarem de cabeça numa guerra, apenas por “obrigação”?
Mai ia dizer que sim, mas, antes que sequer abrisse a boca para isso, Cristiano deu um passo à frente, parando ao seu lado.
-Na verdade, - Disse ele – não é por pura obrigação... Justiça, vingança, chame como quiser, mas a verdade é que pisaram no nosso calo, agora vai vir chumbo grosso.
-Cris! – Mai o repreendeu.
Mas ele a ignorou e prosseguiu, dessa vez olhando para Kurama:
-Mataram uma pessoa que era muito importante pra mim, que praticamente me adotou como um filho. Se não fosse por ele, eu estaria ferrado nesse mundo. Capitão, o senhor tem noção do que é a vida de um menino de rua no Brasil? Não deve ter, não é? Pois é, isso não vem ao caso. O negócio é que mataram o cara que me salvou de ser um nada na vida, e eu não vou deixar que quem fez isso cumpra seu objetivo.
Kurama o encarava em silêncio e esse olhar era sustentado com ares de igualdade. Yusuke, Kuwabara, Koenma e Botan repararam nisso: ao contrário de Mai, Cristiano não se mostrava submisso ao capitão... Tinha respeito, mas não pura submissão.
-Io estou com ele – A voz de Alexandra chamou a atenção de todos. Ela deu um passo à frente – Mio irmão Marco era uma ótima pessoa, non merecia morrer daquele jeito. E io vou lutar, por ele.
Mark também deu um passo à frente e encarou Suuichi:
-Jennifer era só uma menina, não perdôo o que fizeram com ela. E é por isso que vou lutar.
Kurama olhava para os rostos determinados daqueles três jovens, sem dizer uma única palavra. Pela sua expressão neutra, ninguém poderia saber ao certo o que se passava por sua mente. Já Yusuke, sorriu, admirado com aquelas palavras, que, para ele, eram dignas de guerreiros de verdade... No fim das contas, sua primeira impressão tinha sido totalmente errônea: não se tratava meramente de uma equipe ‘arranjada’, aqueles agentes realmente tinham garra, tinham ideais, não eram meros fantoches do Reikai. No entanto, ele deixou de sorrir quando seus olhos novamente caíram em Mai, que continuava estática, em posição de sentido, como quem apenas aguarda por alguma ordem de seu superior...
O mais estranho de tudo, era que aquele superior tratava-se de seu próprio pai.

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Sunday, June 04, 2006

...:::Capítulo um - A nova geração de guerreiros:::...
A olhos leigos, seria impossível definir o que poderia vir a ser aquilo. Um inseto gigante? Um extraterrestre? Um monstro? A equipe os chamavam por 'Youkais'.
A aparência, de fato, não era das melhores. Um ser cascudo, marrom, que expelia uma gosma verde, com um grande par de asas nas costas e robustas antenas na cabeça. Parecia não estar de bom humor e atacava com tudo o que tinha. Sua oponente - uma jovem ruiva que trajava roupas cinzas feitas de um tecido que se moldava ao corpo - mesmo vendo-se já desarmada, tentou contra-atacar usando apenas os punhos como armas. Nisso, foi facilmente jogada longe. Caída no chão, recebeu uma rajada da gosma verde, que a fez perder a consciência. Um grito desesperado foi ouvido:
-MAI!!!
Cristiano, um rapaz negro, que usava roupas bem parecidas com as da garota, correu até ela e abaixou-se no chão ao seu lado. Levantou as costas dela do chão e, parecendo estar tomado por uma grande paixão, beijou-a nos lábios. O Youkai se aproximou do casal e tratou de também liquidar o rapaz.
As luzes se acenderam. O Youkai desapareceu. Uma voz autoritária se fez ouvir naquela sala:
-Muito bem, Agente Lopes. Sua despedida apaixonada acabou de te matar e de destruir completamente a missão.
Cristiano afastou seus lábios dos da garota. Ela, então, abriu seus olhos castanhos e puxados e não pôde evitar rir da situação. Ele riu junto.
O Capitão, no entanto, não pareceu achar a menor graça.
-Continuem levando as simulações na brincadeira, e terão sérios problemas nas batalhas reais.
-Humpf... Eu faria o mesmo em qualquer batalha real. - Comentou Cristiano, divertido. Levantou-se e estendeu a mão para sua parceira.
Nesse momento, mais três jovens adentraram o ambiente: dois rapazes, um americano e um chinês; e uma jovem italiana. O capitão caminhou até um telão, localizado ao final da sala. Os cinco agentes o seguiram
-Acabo de receber o alerta de mais uma invasão nas proximidades da Estação de Nagoya. Mais um youkai de classe D, causando um pequeno tumultuo na área. Apenas um de vocês já é o suficiente para resolver a situação... Mas, como é sempre melhor prevenir-se para qualquer incidente, gostaria que fossem em dupla.
A ruiva deu um passo à frente e se candidatou, formalmente:
-Capitão Minamino, peço autorização para ser designada à missão.
O capitão, um homem de trinta e nove anos, cabelos ruivos e curtos e olhos verdes, analisou a garota por um rápido momento, antes de responder com igual formalidade:
-Autorização concedida, Agente Watsuki.
Cristiano levantou a mão e segurou o riso diante do olhar nada amigável que seu superior lhe lançara.
-Peço desculpas pelo incidente durante a simulação. Não irá se repetir. Aproveitando, será que eu poderia acompanhar a minha gat... Digo, a Agente Mai Watsuki?
O capitão Suuichi Minamino o olhou de cima a baixo. Mesmo tendo a total certeza de que algum dia se arrependeria amargamente disso, tinha que admitir que gostava daquele jovem. Podia ser brincalhão e irresponsável durante os treinamentos, mas sabia se portar diante de uma luta 'pra valer'... Lembrava, um pouco, um velho amigo seu...
-Autorização concedida, Agente Lopes. - Disse ele, por fim.
O casal bateu continência e saiu. Minamino os seguiu com os olhos, olhando em seguida para os outros três jovens que ainda o olhavam, aguardando por ordens.
-Yin, já conseguiu a normalização do sistema?
Chun Yin, um chinês de vinte anos, apenas moveu a cabeça negativamente. Era o encarregado da área informatizada do local.
-Continue tentando. - Pediu o capitão. - Smith, já terminou com as novas armas?
-Ainda não, capitão. - Respondeu o americano, Mark Smith, de dezenove anos, cabelos loiros e curtos e olhos azuis. Era o inventor da equipe - Estou em fase de finalização.
-Correto. Bertolli?
A caçula do grupo, uma italiana de dezesseis anos, voltou os olhos verdes para o capitão. Sentiu-se um pouco desapontada ao ouvir sua ordem para o dia:
-Tire a tarde de folga.
-... Hai.
-Podem ir.
Os três bateram continência e foram embora, cada em uma direção. A sala ficava bem ao centro, sendo ligada por vários corredores a todos os outros setores daquela nada modesta base subterrânea.
Uma vez sozinho, Suuichi Minamino voltou-se para o telão, como se prevendo que uma imagem surgiria ali. Foi o que aconteceu poucos segundos depois, quando um jovem de cabelos castanhos e lisos e olhos castanhos surgiu na tela.
-Já faz algum tempo... Koenma-sama.
O rapaz sorriu brevemente, embora seu olhar permanecesse sério.
-De fato. Você mudou bastante, Kurama. ...Se é que ainda posso te chamar assim.
-Conseqüências da vida humana.
-Não havia a necessidade disso. Você ainda é um youkai. No momento em que quiser, pode 'travar' esse envelhecimento e retomar a aparência de vinte anos atrás.
-Não fale como se eu fosse um velho.
-Não é bem isso. Aliás, está muito bem para um humano de quase quarenta.
-Foi a vida que escolhi. Não me arrependo disso. Mas está entrando em contato apenas para elogiar a minha aparência?
-Iiê, eu não sou dessas coisas. Há três anos você assumiu um grupo de adolescentes e os treinou para resolverem os pequenos casos de invasões no Ningenkai. Pelo que soube, eles têm feito um bom trabalho. Há anos que não designamos detetives, mas com essa sua equipe não vemos a necessidade disso.
-São bons garotos. Atrevo-me a dizer que são os melhores, mesmo nenhum deles possuindo qualquer tipo de energia espiritual.
-Agora chegou o momento de provar se são mesmo os melhores, Kurama. Temos um problema sério... Coisa de gente grande. Acha que estão preparados para assumir isso?
Kurama não pareceu pensar nem por um segundo antes de responder, convicto:
-Estão mais do que preparados.

*****
-Arg... Bicho feio!
Mai riu diante da cara de nojo que Cristiano fazia, encarando o youkai que acabara de matar, dentro de um supermercado (ou o que restara dele), localizado próximo à saída da Estação de trem de Nagoya.
-Foi bem mais fácil que a baratona gigante. - Concluiu ele. Sacou uma pistola e apontou para o youkai. Uma espécie de laser foi disparado contra o monstro, que desapareceu como num passe de mágica. - Prontinho, monstrengo pulverizado! Dar um sumiço no cadáver é a parte mais fácil da brincadeira.
Um grito assustado foi ouvido no local. O casal olhou para o funcionário que, aterrorizado com a cena, pulou de trás de um balcão e correu porta à fora. Cristiano coçou a cabeça e olhou para a arma em suas mãos.
-Cara... Dá pra dormir com um barulho destes? Povo sempre se assusta quando me vê fazendo isso... Acho que é porque eu sou negro u.u
Mai riu mais uma vez.
-Lógico. Evidente que o fato de você aparecer do nada, lutar contra um 'monstro' e portar uma pistola que pulveriza um ser de duzentos quilos em segundos não tem nada haver com isso.
-É! Maldita sociedade racista u.u
-^^" ...Acho melhor voltarmos pra base.
-Ah, pra quê? Já treinamos o suficiente por hoje.
-Treinamos, é? O capitão não pareceu gostar nadinha do desfecho do treinamento. u.u
-Tá faltando um pouco de romantismo naquele sujeito u.u Duvido que se fosse ele, vendo sua amada ser atacada diante de seus olhos, se não teria a mesma reação u.u
-...Talvez tivesse.
Cristiano percebeu um leve traço de tristeza nos olhos da garota e tentou mudar drasticamente o assunto:
-Já decidiu o que faremos na sexta?
-Sexta?
-...Que dia é sexta, Mai? ¬¬'
-Sei lá O.o ...Quinze? Dezesseis?
-Seu aniversário, gata u.u'
-Ah, é verdade! O.o ...Não tinha me ligado nisso ^^"
-Como pode alguém esquecer o próprio aniversário? ¬¬'
-Acontece ^^" Sabe que não gosto muito de comemorar.
-E você sabe que odeio essa sua mania de não comemorar. ¬¬' Vamos fazer uma festa! *.*
-Ah, Cris... Num precisa u.u
-Precisa, sim! ¬¬' ...Podemos fazer o seguinte... Se o capitão permitir, usaremos o salão da base. Tava pensando que poderíamos...
Empolgado, ele começou a contar sobre seus planos. Mai apenas ouvia a tudo com um sorriso no rosto, não ousando comentar que, na verdade, não estava nem um pouco animada com aquilo tudo. Saíram do mercado, caminhando lentamente pelas ruas.

*****
-Não encoste aí, Alex!
-Non me trate como criança, Mark ¬¬'
-Então não se porte como uma u.u... E eu já disse pra não encostar aí Ò.ó
Como uma criança contrariada, a italiana bufou e se afastou da grande bancada onde Mark trabalhava em sua atual invenção; sentou-se num banco que ficava num canto, encostado à parede, cruzou os braços e fez bico.
-Também... Io non vou mais tentar te ajudar. u.u
-Ah valeu! ...Ou deveria dizer, 'gracias'?
-Isso é espanhol, non é italiano ¬¬' - Ela passou a mão sobre os cabelos loiros e lisos, que batiam pouco abaixo dos ombros - ...Ninguém me leva a sério por aqui u.u'
-Foi só uma brincadeira, Alex. Não sou nenhum cara hiper culto, mas sei a diferença entre italiano e espanhol u.u'
-Si... Mas non perde a oportunidade de tirar una com mio sotaque ou com la mia... Digo, a minha... Como é mesmo a palavra? u.u'
-Empolgação? O.o
-Non u.u
-Hiperatividade?
-Non u.u
-Estatura? ^^"
-Iiê ¬¬''' ...Com meus dezesseis anos ¬¬'
-Ah, com a sua IDADE ^^"
-Eco u.u Viu o capitão? Deu missões para todos, menos para io. u.u
Mark largou o que fazia e olhou para a garota. De certa forma, podia fazer uma vaga idéia de como ela se sentia com aquilo tudo. Alexandra Bertolli, ou apenas 'Alex' para os amigos, era a mais nova integrante da equipe, estava com eles há pouco mais de um ano. Como todos ali, teve sua vida tragicamente marcada em decorrência de ataques dos Youkais que conseguiam atravessar a barreira para o Ningenkai. Fora resgatada pelo grupo, e escolhida pelo capitão Minamino para integrar a equipe. Como no habitual sistema de adaptação, tinha que passar por uma seqüência de treinamentos... O problema era que julgava aquele treinamento longo demais. Ainda não tinha sido designada para missão alguma, além de não ter uma função específica na base. Além disso, ainda apresentava uma dificuldade maior do que a dos demais com o idioma.
-Vai, 'bambina'... Não se deprima com isso.
-Fala assim porque é da equipe... Io non sou ninguém.
-Se não fosse ninguém, o capitão não teria te escolhido. Não sabemos ao certo que parâmetro ele usou para escolher cada um de nós... Mas com certeza teve algum. Temos algo de especial, por isso estamos aqui.
-Acho que ele se enganou comigo... E percebeu isso. Você, o Chun, o Cris, a Watsuki... Todos têm suas funções. E io? O que faço de útil?
-Você... Bem... O.o... Você... Ah, sempre ajuda o Cris na cozinha ^^"
-Só descasco legumes, pego as coisas pra ele na geladeira, lavo a louça... Ele non deixa io chegar perto do fogão u.u
-Mas isso já é uma grande ajuda. Também sempre participa das reuniões e dá suas opiniões... Muitas delas são aproveitadas.
-Mas a maioria não u.u
-Mais do que as do Cris ^^"
-Aquele louco só tem idéia suicida ¬¬'
-...E você também me ajuda.
-Io tento, mas você nunca deixa. Diz que io sou estabanada e sempre te atrapalho u.u
-Não digo mais, tá legal? Então, por que não me ajuda agora?
Alexandra levantou-se, empolgada, e abriu um largo sorriso.
-Di tutto cuore! ...O que quer que eu faça? ^-^
-...Vá buscar um copo de água pra mim, estou morrendo de sede. ^-^
-O.o... Aff... Dio santo ¬¬''
Emburrada, ela saiu para fazer o que Mark pedia. O americano apenas riu e voltou à atenção ao que fazia.

*****
Enquanto isso, em Tóquio...
As duas dividiam uma enorme gota diante da cena. Era no mínimo muito estranho que dois amigos dos tempos de colégio, que passaram por tantos momentos difíceis juntos, depois de quase dez anos sem se verem se cumprimentassem de modo tão formal.
-É um prazer te rever! - Disse um deles, apertando a mão do outro.
-O prazer é meu, cara!
-...Muito legal mesmo te reencontrar. Cê envelheceu.
-Nem tanto quanto você. Mas a cara de pastel continua a mesma.
Eles bem que sentiam uma certa vontade de se abraçarem, mas contiveram isso ao máximo. Olharam para as duas mulheres e afastaram as mãos.
-E aí, Yukina, beleza? ^-^
-Keiko, quanto tempo! ^__^ Tudo bem com você?
-Vocês são dois idiotas u.u' - Extravasou Keiko. - Sim, Kuwabara, eu estou bem. u.u
Yukina sorriu, um tanto sem graça, e pediu que os convidados se sentassem no grande e confortável sofá da sala. O casal Urameshi assim o fez, enquanto Kuwabara sentava-se numa poltrona.
-Vou preparar um chá para vocês. - Disse gentilmente a dona da casa - Fiquem a vontade ^-^ - E ela saiu, rumo à cozinha.
-Rapaz, que casona bonita! O.o - comentou Yusuke, percorrendo os olhos pela sala.
-Incrível que essa é a primeira vez que vocês vêm aqui. - Respondeu Kuwabara.
-Ah, sabe que a vida é puxada, né? É complicado pra gente sair, por causa do restaurante. Mas vocês também nunca arrumam um tempinho pra ir nos visitar ¬¬'
-Nós já fomos lá algumas vezes u.u
-Tem séculos, hein? ¬¬' Meus filhos ainda nem eram nascidos. ...Ei, Yuuki, mexe aí não, pirralho! ¬¬'
O menino de seis anos de idade afastou as mãos do vaso que ameaçava tirar de cima de uma mesinha e saiu correndo para o outro lado da sala, sendo seguido pela irmã gêmea.
Kuwabara sorriu levemente diante da cena, recordando-se da época em que seu filho tinha aquela idade. Mas sabendo que aquele não era o momento para recordações, olhou para Yusuke, indo direto ao assunto:
-Então, você também foi atacado?
Yusuke ficou sério ao ouvir a pergunta.
-É, eu fui. Liguei para o Kurama, ele me explicou o que está acontecendo. Parece que a situação está mais grave do que ele imaginava.
-É, ele entrou em contato comigo também. Tá querendo uma ajuda.
-Ele contou que durante esses últimos anos andou treinando um grupinho de jovens, mas tem receio de que eles possam não dar conta do recado.
-São jovens normais, sem nenhum tipo de habilidade especial. Ele não explicou ao certo o que era o problema, mas é lógico que vai precisar da nossa ajuda. Eu oferecerei uma ajuda dupla!
-Dupla? O.o
-Essa é a oportunidade de ouro do meu garoto se mostrar para o mundo! *.*
-Ele domina o Leizen? O.o
-AINDA não. - ele abaixou a voz - Sabe, minha Yukina protege muito o moleque, acha que não há a necessidade de treiná-lo... Mas como é uma situação de emergência...
-Entendo O.o...
Yusuke virou os olhos para o alto, pensativo. Após alguns instantes, parecendo ter uma idéia, olhou para o pequeno Yuuki. Keiko entendeu suas intenções e tratou de cortá-lo:
-Nem pense nisso ¬¬'
Ele suspirou, desanimado. Não se dando por vencido, olhou para a filha. A veia que pulsava na testa de Keiko ficou ainda mais evidente.
-Yusuke!!! Ò.ó
-Tá, mulher... Foi só uma idéia, eu hein... u.u
-Eles têm seis anos, Yusuke! Ò.ó
-Tem razão, eu sei u.u... Mas um dia vão crescer >D
-Continue com esses planos, e não vai viver pra vê-los crescidos Ò.ó
-Tá legal, Keiko ¬¬' As crianças ficam fora disso, tá bom assim? ¬¬' ...Então, Kuwabara, quando pretende ir para Nagoya?
-Amanhã. Ainda tenho que conversar com meu filho, ele ainda não voltou do trabalho.
-Nossa, seu garoto já está trabalhando? O.o E o que ele faz?
-É professor numa academia... De artes marciais! ^-^
-Da hora O.o - ele olhou novamente para os filhos, traçando em sua mente planos para eles.
Novamente, Keiko pareceu ler seus pensamentos:
-Yusuke ¬¬' Eles vão ser o que eles quiserem! Ò.ó
-Se eu tiver filhos fracotes, a culpa é toda sua ¬¬'
E o casal continuou a discutir, até que Yukina regressou, trazendo o chá.

*****
Sentada diante de uma mesa de uma lanchonete, Mai ria de alguma coisa engraçada dita por Cristiano. Podia-se dizer que formavam um casal que se completava. Mai não era de muitas palavras, era do tipo que ouvia mais do que falava e tinha um riso fácil. Já Cristiano, falava pelos cotovelos, sempre espontâneo, de bom humor, nada parecia abatê-lo. A única pessoa que o conhecia bem além daquela imagem de alegria infinita era Mai, a única com quem ele, ainda que raras vezes, tinha a liberdade de contar sobre suas angústias, seus problemas, suas más lembranças, seus sentimentos... Mas isso de fato era raro. Conheciam-se há três anos... Namoravam há pouco menos de dois.
-Cris, você é um bobo! - Disse ela, tentando conter o riso.
-E você é linda ^-^
Ela sorriu, corando de leve. Olhou através do vidro da janela, reparando que o sol já começava a se pôr.
-Já vai anoitecer...
-Desde quando a agente Watsuki tem medo de escuro?
-Não me chame assim. Sabe que não gosto. Apenas o capitão me chama dessa forma.
Cristiano ficou sério. Um raro traço de tristeza passou em seus olhos negros.
-E você também não gosta, não é? Queria que ele te tratasse com menos formalidade.
A ruiva pareceu um pouco perturbada com a pergunta, mas tratou de disfarçar:
-Não tem nada haver. Sou agente dele, e é assim que ele deve me tratar, não tenho razões para exigir menos formalidade.
Ela bebeu o restante de seu suco num gole só. Cristiano decidiu que não valia à pena insistir no assunto.
-A Alex me falou que vai ter um baile no colégio de vocês.
-É, vai. - Ela tornou a sorrir e a olhar para o namorado - Ela quer convidar o Chun pra ir com ela.
-Tá falando sério? O.o... Ah, qual é? Ele nunca vai aceitar XD
-Não fale assim, sabe que ela gosta dele.
-Eu sei. Aliás, todo mundo sabe, até o Chun. Acho muito difícil aquele cara um dia querer ter uma namorada... E mesmo que seja assim, nunca vai escolher a Alex. Ela é muito criança pra ele.
-Quem sabe? ^-^
-Se fosse o Mark, talvez até desse certo... Os dois se dão tão bem.
-Não, não daria certo. Sabe que o carinho que têm um pelo outro não é bem com essas intenções.
-É, tô ligado. Os dois têm histórias bem parecidas... Ambos eram órfãos... Mark perdeu a irmã mais nova. Alex, o irmão mais velho... Acho que acabaram substituindo as figuras dos irmãos que perderam.
-Amor fraternal... Não deixa de ser uma coisa muito bonita.
-Isso eu já não sei, não tive irmãos. ...Mas e você? Animada com o baile?
-Eu não vou. Não me sentiria bem, acho que não tenho mais idade pra isso.
-Fala sério, minha gata! Tem só dezoito anos.
-É, mas você mesmo me lembrou que faço dezenove em alguns dias. Sou dois anos mais velha que o restante da minha turma.
-Não precisa se sentir mal por isso. Sabe que não teve culpa alguma dos dois anos que não pôde estudar.
-Eu sei. Mas isso não me torna menos velha ^^" - De repente, o olhar dela tornou-se triste e ela segurou as mãos do namorado por cima da mesa - Cris, quero te pedir um favor.
-O que, Mai? - Perguntou ele, preocupado.
Ela suspirou, antes de responder:
-Eu não quero festa de aniversário.
-Mas Mai... Não pode passar seu aniversário em branco.
-Por favor, Cris.
-...Faremos o seguinte, então, vamos sair pra jantar, só nós dois. O que acha?
-Não, Cris. Não entende? Não quero comemoração alguma. Quero que o dia passe naturalmente, como qualquer outro dia do ano.
-Não é qualquer outro dia. É seu aniversário.
-Mas eu quero que seja assim, Cris. Por favor.
-...Tudo bem, minha gata. Sem comemorações.
-Obrigada. ...Já está escuro, melhor irmos logo.
Cristiano não contestou o pedido. Pagou a conta e os dois saíram juntos. Já na rua, abraçou-a e ela deitou a cabeça no ombro dele. Seguiram assim, rumo à base.

*****
Enquanto digitava freneticamente diante da tela de um computador, o chinês Chun Yin não parecia perceber que estava sendo observado. Parada diante da porta, ainda segurando o copo com água que fora buscar para Mark, Alexandra olhava para o rapaz, tentando criar coragem para dizer o que queria.
Por vezes, julgava-se um tanto tola por nutrir aquele tipo de sentimento. Afinal, qualquer um diria, sem pensar duas vezes, que os dois jamais fariam um bom casal. Enquanto Alex era uma colegial, com toda a sua empolgação de adolescência, Chun era um rapaz mais velho... Tinha vinte anos, mas uma maturidade de no mínimo quarenta. Introspectivo, calado, sério, pouco sociável... Os dois eram totalmente opostos, mas talvez fosse isso o que mais encantasse a italiana. Ela nunca se interessara por nenhum garoto, nem na Itália nem agora no Japão... Apenas tinha olhos para Chun.
-Com licença... - Disse ela, por fim. Timidamente, adentrou a sala de informática e se aproximou do rapaz - Io precisava falar com você.
-...Diga. - Foi tudo o que o chinês murmurou, sem desviar nem por um instante os olhos do computador.
-É que... Bem...- Ela olhou para o chão, enquanto tentava criar coragem para aquilo - É que, semana que vem terá um baile no meu colégio. E, bem... Io estava pensando se... Digo, se você non estiver ocupado, talvez queira... Er... Talvez você possa...
Ele parou de digitar, mas não a olhou.
-Bertolli?
-Si? - Ela tornou a olhá-lo. Os olhos verdes brilhando de expectativa.
-Se não se importa, estou ocupado agora, e certamente também estarei na semana que vem. Será que dá pra sair e deixar-me terminar o meu trabalho?
Alex sentiu um forte 'baque' diante da resposta e do modo frio com que foi dita. Por um momento, o ar lhe faltou, as mãos ficaram geladas e ela sentiu como se o chão sumisse debaixo de seus pés. Um forte aperto no peito, um desejo de sumir... Depois, veio a raiva... Raiva de si mesma, por ser tão tola em acreditar que Chun pudesse aceitar seu pedido.
Com naturalidade, o chinês voltou ao seu trabalho. Alexandra, mais do que rapidamente, virou-se e saiu do local, correndo. Atravessou o extenso corredor do setor de informática, passou pelo salão de treinamentos e entrou por outro corredor, até chegar à sala onde Mark trabalhava.
Ao ouvir a porta sendo aberta, o americano parou o que fazia e olhou para lá. Deparou-se com a garota, segurando um copo quase vazio em mãos e respirando ofegantemente, enquanto os olhos verdes começavam a transbordar em lágrimas.
-Alex? - Preocupado, ele foi até a garota - O que foi?
-Gomen ne... - Disse ela, estendendo para ele o copo com menos de dois dedos de água - Acho que deixei um pouco da água cair pelo caminho... Io sou meio afobada...
Mark tirou o copo da mão dela e colocou no chão, assim que se abaixou diante da garota, como se faz com uma criança.
-O que aconteceu?
Ela forçou um sorriso, enquanto as lágrimas começavam a rolar por seu rosto.
-Io sou mesmo muito afobada, non é? Non faço nada direito, pareço una criança... Como dizem por aqui? ..."Baka", é isso que eu sou.
-Não, Alex... Você não é nada disso.
O sorriso dela aos poucos de desfez, e ela rendeu-se totalmente ao choro.
-...Então... Por que ele não gosta de mim?
Mark sabia que não poderia responder àquela pergunta. E também não fazia idéia do que dizer para tranqüilizar a menina. Tudo o que sabia é que não gostava nem um pouco de vê-la naquele estado. Era inconcebível vê-la triste. Alex era a alegria daquela equipe... Era a sua alegria.
-Mark... - Sussurrou ela, em meio a soluços. Levou as mãos ao peito esquerdo, como se para mostrar onde doía - Como eu faço pra parar de doer?
Mais uma pergunta que ele não saberia responder. Dessa vez, ele não perdeu tempo pensando em respostas e fez a única coisa que poderia fazer por Alexandra nesse momento: envolveu-a nos braços, com o mesmo carinho que teria por sua irmã.
Ela retribuiu ao abraço e continuou a chorar.

*****
Eram pouco mais de onze da noite. Horário de total silêncio na base. Eram esses momentos que Kurama reservava para inspecionar os setores, ver se estava tudo em ordem. Também aproveitou para fazer alguns telefonemas. Ligou para Yusuke e Kuwabara e explicou a eles como chegarem à base. Marcaram de ir para lá na manhã seguinte. Também falou com Koenma, que também se comprometeu de ir até lá juntamente com os ex-detetives.
Não tinha mais nada o que fazer, mas estava sem sono. Resolveu ir para a cozinha, talvez fazer um lanche, pensar um pouco sobre o que estava por acontecer... E sobre o que já lhe havia acontecido no decorrer dos últimos onze anos. Ao final do corredor dos dormitórios, para ter acesso ao salão por onde deveria passar para ir à cozinha, deparou-se com uma porta fechada. Para abri-la, precisava passar seu cartão de identificação num pequeno aparelho. Assim o fez. Num visor ao lado da porta, antes desta se abrir, surgiu sua fotografia, acima de seu nome. "Suuichi Minamino".
Seguiu para a cozinha. Ao chegar lá, surpreendeu-se ao constatar que não era o único que estava acordado no local.
-Watsuki? - Ele chamou.
A ruiva estava de costas para a porta, sentada diante de uma mesa de oito lugares. Quando ela virou o rosto para trás, Kurama pôde ver que ela segurava em mãos uma fotografia.
-Capitão. - Respondeu ela, também surpresa em vê-lo ali.
-O que faz acordada?
-Eu perdi o sono. ...Mas, já que o senhor está aqui, será que eu poderia conversar um instante contigo?
Kurama percebeu que ela parecia abatida e procurava alguém para desabafar sobre os motivos daquilo. Perguntava-se o que poderia ser. Algum problema com Cristiano Lopes? ...Mas os dois pareciam tão bem quando regressaram da rua. Intrigado, apenas moveu levemente a cabeça. Mai puxou uma cadeira ao seu lado, onde o ruivo se sentou.
-É que... Meu aniversário está chegando.
-Eu sei.
-Sei que é um dia em que eu deveria me sentir feliz, mas... – Ela desviou os olhos dos do capitão, olhando para a fotografia em suas mãos – Essa é a época do ano que mais lembro da minha mãe.
Ao olhar de perto para a foto, Kurama enfim reparou do que se tratava. Era uma mulher de pouco menos de trinta anos; cabelos castanho-escuros e compridos e olhos também castanhos, mas de um tom mais claro... Idênticos aos de Mai. Era a mãe dela.
Ele fechou os olhos por um momento. Quando tornou a abri-los, também evitou encarar a garota. Ela fez uma pausa para tomar fôlego e prosseguiu:
-Fico lembrando dos meus aniversários de criança... Mamãe fazia questão de preparar um bolo e chamar minhas amiguinhas do colégio - Ela sorriu tristemente - Era a maior bagunça, mas ela não parecia se importar. Depois da festinha, me ajudava a abrir os presentes e me levava pra cama... Como fazia todos os dias, ficava comigo até que eu dormisse. Lembro da voz doce dela... "Boa noite, minha princesa. Durma com os anjos". Não faz idéia do que eu não faria para tornar a ouvir essa frase. Sei que já estou bem crescidinha, mas... Ainda sinto a falta dela. Acho que sempre vou sentir.
Mai tornou a olhar para Kurama, que permanecia com os olhos fixos no nada, como se viajando em seus pensamentos.
-Eu entendo. - Disse ele, sem olhar para a garota.
-Há mais de uma década que não tenho motivo algum para comemorar. ...Desde o último aniversário que ela passou comigo. - Mai abaixou o rosto. Os olhos castanho-claros rapidamente começaram a transbordar - Não foi justo ela morrer tentando me salvar... Era eu que deveria ter ido no lugar dela.
Kurama permaneceu em silêncio por alguns instantes, parecendo pensar bastante sobre o que deveria dizer à garota. Por fim, tornou a olhá-la.
-Acho que ela não iria gostar de te ver falando desse jeito. Se ela se sacrificou por você, é porque, para ela, a sua vida era mais importante.
-É... Mas ela não perguntou a minha opinião. - Ela arrastou a cadeira para trás e se levantou - Desculpe, não sei por que fui encher o senhor com meus problemas. Acho melhor eu ir dormir.
-Sim, durma. Terá um dia puxado amanhã.
-Hai.
Mai virou-se para sair da cozinha. Já chegava à porta quando parou, ao ouvir a voz de seu superior chamando-a:
-Mai?
Por alguns instantes, ela viu-se paralisada diante da surpresa... Mesmo estando fora de treinamento, mesmo estando apenas os dois a sós, era raríssimo Suuichi Minamino chamá-la pelo primeiro nome. Depois, ela voltou-se para ele, e a surpresa foi ainda maior quando ele, abrindo um leve e quase imperceptível sorriso, disse:
-Boa noite. Durma com os anjos.
Mai retribuiu o sorriso, sentido sua vista turvar em conseqüência das lágrimas.
-Boa noite... Pai.
Ela virou-se e saiu. Chegando ao corredor que ia para os dormitórios, retirou o crachá preso na blusa do pijama e passou a parte magnética numa pequena máquina, o que acionou a abertura da porta de acesso. No visor, surgiu sua fotografia, acima do seu nome:
'Mai Watsuki Minamino'

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.....::::::Prólogo::::::......
-Vai você!
-Nem pensar, vai você!
-Por que eu?
-Porque eu fui da última vez. Hoje é contigo.
-Eu não vou!
-Vai, sim!
-Não! Ò.ó
-Vai! Ò.ó
-Nãããão!!!
-Vai sim!!! Ò.ó
-...Aff, tamos agindo que nem crianças. Olha, vamos tentar decidir isso como dois adultos. Certo?
Ela concordou em silêncio e ele tirou uma moeda do bolso.
-Coroa! - Ele jogou a moeda e a agarrou no ar. Ao ver o resultado, uma gigantesca gota se formou sobre sua cabeça.
-Ganhei. Pára de palhaçada e vai logo, Yusuke. ¬¬'
Yusuke bufou e, contrariado, abriu a porta do carro e saiu, parando diante do portão do colégio. Nesses momentos, tinha a vaga sensação de estar pagando por seus pecados... E pagando em dose dupla.
Casara-se com Keiko há catorze anos, mas tiveram alguns problemas para conseguirem ter filhos. Tanto que, após inúmeras tentativas, Keiko teve que recorrer a tratamentos, até que, enfim, conseguira engravidar... Nove meses depois, enfim eles tinham seus bebês nos braços. Não um, mas dois: um casal de gêmeos, que, hoje, aos seis anos de idade, provocavam algumas dores de cabeça ao casal.
-Que será que esses dois aprontaram dessa vez? u.u - Resmungou o ex-detetive espiritual, enquanto criava coragem para entrar na escola, onde o diretor o aguardava para ter uma conversa séria sobre seus filhos.
Yusuke sabia que sua menina, sozinha, não era nenhuma ameaça à sociedade. Não que fosse algum anjo, mas sempre que aprontava era por ir na 'onda' do irmão. Ela era mais comportada, podia-se dizer que tinha muito da mãe... Já o menino, em compensação, fazia Yusuke se recordar nada saudoso de seus tempos de infância.
Enfim, reunindo um pouco de coragem, ele entrou no colégio. Naquele horário, já não havia mais tantas crianças pelo pátio, a grande maioria delas já havia ido embora... Os pequenos Aeka e Yuuki Urameshi também já poderiam estar a caminho de casa, se seus pais não tivessem perdido meia hora na discussão sobre quem entraria no estabelecimento para conversar com o diretor.
E lá estava o tão temido diretor, sentado num banco do pátio, ao lado dos dois “anjinhos”. Tratava-se de um senhor de uns setenta e poucos anos, gordo, de cabelos totalmente brancos e um olhar sério, parecendo um tanto irritado. Yusuke sentiu um leve arrepio de medo assim que o avistou.
-Bom dia – Disse ele, ao se aproximar do diretor – O que as pestes aí aprontaram dessa vez? u.u
-Nada do que você, na idade deles, não aprontaria ¬¬’ – Respondeu o professor. Com um pouco de esforço, levantou-se, encarando Yusuke mais de perto.
-Ah, qual é, Takenaka? Não vamos exagerar, né? ¬¬’
O comentário lhe rendeu um soco no meio da cabeça... Apesar de velho, a força do punho de Takenaka parecia a mesma.
-Me chame de Professor, olha o respeito ¬¬’
-AIÊÊ!! Ò.ó Precisa me bater na frente dos meus filhos?
-Que diferença faz? Você não os inspira respeito de jeito algum.
-Que exagero ¬¬ ...Yuuki, pára de rir, moleque! Ò.ó ...Mas me fala logo, desembucha, o que esses dois aprontaram? Não pode ter sido grande coisa, só têm seis anos de idade.
-Colocaram uma aranha no piano da professora de música.
-Ah, isso? Fala sério, cadê o seu senso de humor? Eles vêem isso nos filmes, é coisa de criança.
-A aranha era venenosa e a professora agora está no hospital.
-O.o... Foi uma fatalidade. u.u
-Também jogaram uma casca de banana no caminho do professor de Educação Física.
-É só uma brincadeirinha, o cara nem deve ter ficado tão revoltado assim.
-Acontece que isso foi na escada, e o “cara” rolou vinte degraus, e foi mandado para o mesmo hospital que a professora de piano.
-Nossa, e como ele está? O.o
-Os médicos disseram que vai ficar bem... Se conseguir sair do coma causado por traumatismo craniano ¬¬’
-Outra fatalidade O.o”
-E Yuuki entrou no banheiro das meninas, roubou um pacote de biscoito de um colega, soltou um rato na sala dos professores...
-É uma peste ¬¬’
-Aeka chutou uma colega, puxou o cabelo de outra e mordeu o braço de um menino.
-Tô dizendo, essa será o meu orgulho! *.*
-Como é? ¬¬’
-Er... Digo... É uma peste também O.o... Mas será forte como o pai! *.* Não que eu aprove essas atitudes violentas ^^”
Takenaka suspirou, em desânimo. No fim das contas, sabia que de nada adiantaria seus esforços... Aquelas duas crianças estavam destinadas a seguirem os passos totalmente errados do pai. Talvez a menina até pudesse ter salvação, mas, quanto a Yuuki, estava convicto de que era um caso perdido.
Tomou fôlego para dizer algo, mas viu sua voz abafada por gritos vindos da parte dos fundos do pátio, onde ficava um ‘playground’ onde os alunos mais novos brincavam enquanto aguardavam pela chegada de seus responsáveis.
-Mas o que é isso? – Perguntou, olhando intrigado para as crianças que vinham correndo em sua direção. – O que está acontecendo?
-Um monstro! – Respondeu uma menina de uns quatro anos de idade, abraçando-se às pernas do diretor – Um monstro muito feio.
-Monstro? O.o’ – Intrigou-se Yusuke. Depois, riu – Que imaginação têm essas crianças, hein? XD
Mais um forte barulho foi ouvido. Dessa vez, algo parecido com um grunhido.
-Tem alguma coisa lá! – Disse Takenaka. Afastou as crianças que se agarravam às suas pernas e ameaçou dar um primeiro passo, mas Yusuke o impediu.
-Calma aí, velho. Deixa que eu vou lá ver do que se trata. – Ele começou a virar-se em direção aos filhos, enquanto falava – Aeka, Yuuki, me esperem aqu... – E se calou, ao notar a falta de seu filho – Aeka, cadê seu irmão?
A menina balançou a cabeça negativamente. Só então, uma outra criança lembrou:
-Ele pegou um menino, vai machucar ele!
Yusuke não parou para perguntar que menino seria esse. Alertou para que Aeka não saísse dali e correu, em direção aos fundos do pátio. Apesar de já estar acostumado a enfrentar toda a espécie de youkais (ainda que, devido aos anos de ‘aposentadoria’, já não se via nessa situação há um bom tempo), agora a sensação era diferente... Não era meramente sua vida que estava em risco, mas a de seu filho.
Finalmente, chegou ao local onde o tal ‘monstro’ se encontrava. Perguntou-se como não havia conseguido sentir aquele youki, próprio de um youkai de classe B... Mas o que uma criatura dessas fazia no Ningenkai? Tinha a aparência humana, com longos cabelos verdes e orelhas pontudas. Sua pele tinha um tom azulado, era magro, alto. Yusuke parou, a poucos metros de distância, quando o youkai levantou o pequeno Yuuki, que estava suspenso pelos pés, os quais o youkai segurava com apenas uma das mãos.
-Certo... – Disse Yusuke, com uma calma que não lhe era nada peculiar – Coloque o garoto no chão e vamos resolver isso nós dois.
O Youkai deu um risinho maquiavélico e soltou o menino, que caiu no chão.
-Ai, doeu!!! ;_____; - resmungou o pequeno.
-Pára de reclamar. Seja homem, moleque! ¬¬’ – Retrucou o pai, já deixando a calma de lado. – Agora volte pra onde você estava e não saia de perto da sua irmã! ...E isso não significa: “Traga-a pra cá com você” ¬¬’ É pra ficarem os dois LÁ! Entendeu?
O menino fez que sim e, assustado, correu para a parte da frente do pátio. Yusuke encarou o adversário e girou os punhos, esperando pelo ataque do oponente... O que não demorou a acontecer...

*****
Dentro do carro, Keiko já começava a ficar impaciente. Já fazia quase uma hora que Yusuke entrara no colégio para conversar com o diretor, mas, até agora, ainda não havia regressado. Afinal, o que de tão sério os gêmeos haviam aprontado dessa vez?
Após olhar mais uma vez para o relógio, ela voltou os olhos para a calçada e levou um certo susto com o que avistou: Yusuke estava com as roupas sujas e rasgadas, e vinha em sua direção carregando os gêmeos, um embaixo de cada braço... O pequeno Yuuki também estava com o uniforme um pouco deteriorado.
Assustada, Keiko saiu do carro. O olhar preocupado de Yusuke lhe dizia que o que acontecera era bem mais sério que uma simples travessura das crianças.
-O que aconteceu? – Perguntou ela, assim que o marido se aproximou.
Yusuke respirou fundo, antes de começar a contar o ocorrido.